O diretório municipal do Partido Liberal (PL) em Barreiras, no oeste da Bahia, divulgou uma nota oficial na qual desautoriza qualquer manifestação pública de filiados e pré-candidatos sobre a formação de uma chapa majoritária com o União Brasil (UB) para as eleições municipais de 2024. A medida visa garantir que as negociações políticas sejam conduzidas apenas pela cúpula partidária.
De acordo com a nota publicada na última segunda-feira, os membros do partido estão proibidos de conceder entrevistas, publicar em redes sociais ou fazer declarações públicas acerca de uma eventual candidatura a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo União Brasil. A direção municipal argumenta que discussões prematuras podem atrapalhar o diálogo entre as legendas e prejudicar o projeto político do grupo.
O documento, assinado pelo presidente do PL em Barreiras, ressalta que “qualquer posicionamento sobre composição majoritária deve ser previamente autorizado pela comissão executiva municipal”. A orientação vale inclusive para postagens em redes sociais. O objetivo, segundo a nota, é “preservar a unidade partidária e o foco nas diretrizes estabelecidas pelo diretório”. A direção local reforça que as conversas com o União Brasil estão em estágio inicial e que qualquer anúncio oficial será feito após a conclusão das negociações.
O PL de Barreiras faz parte da base do governo estadual da Bahia e busca manter alianças estratégicas no município. O União Brasil, por sua vez, ainda não formalizou a composição da chapa majoritária, mas sinalizou interesse em uma coligação com partidos de centro-direita. Nas últimas semanas, lideranças das duas siglas realizaram encontros para discutir a viabilidade de uma candidatura única.
A nota gerou reações entre os pré-candidatos do partido. Alguns membros, que vinham mantendo conversas com lideranças do UB, disseram à reportagem que respeitarão a decisão da executiva, mas demonstraram preocupação com o silêncio imposto. “Estamos seguindo as orientações do partido, mas é natural que haja debate interno sobre os rumos da coligação”, afirmou um filiado que preferiu não se identificar.
Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela reportagem avaliam que a postura do PL de Barreiras é comum em períodos de articulação política. “Os partidos costumam restringir a fala de seus membros para evitar ruídos nas negociações. O importante é que a decisão não viole a legislação eleitoral e garanta a participação dos filiados nos processos internos”, explicou uma advogada eleitoral sob reserva.
A nota do diretório municipal do PL adverte que o descumprimento da orientação pode acarretar medidas disciplinares previstas no estatuto partidário. A medida busca coibir manifestações individuais que possam comprometer a estratégia da sigla nas negociações. Segundo o documento, a unidade partidária é fundamental para o sucesso nas urnas.
O PL tem investido na interiorização de suas candidaturas. Na Bahia, a legenda espera aumentar o número de prefeitos em relação a 2020. Barreiras é considerada estratégica por ser polo agropecuário e centro regional de saúde e educação no oeste baiano. Uma aliança com o União Brasil, partido com forte penetração no interior do estado, pode ser crucial para o PL consolidar sua presença na região.
A escolha do vice na chapa é vista como crucial para a composição de forças. O PL sinaliza que quer indicar o candidato a vice-prefeito, o que fortaleceria a legenda na futura administração. Esse movimento é interpretado como forma de garantir espaço na gestão municipal e ampliar a influência do partido.
Enquanto isso, o diretório municipal do PL já iniciou reuniões internas para definir os rumos da legenda. A expectativa é que a chapa majoritária seja anunciada até agosto, dentro do prazo estipulado pelo calendário eleitoral. A nota de desautorização deixa claro que, até lá, apenas a executiva está autorizada a falar em nome do partido.
Outros partidos, como PT, PSD e MDB, também articulam candidaturas próprias ou coligações em Barreiras. O cenário político local está fragmentado, e as alianças serão definidas nas próximas semanas. A disputa promete ser acirrada em uma cidade com cerca de 150 mil habitantes e relevância política no oeste baiano.
Procurado, o presidente municipal do União Brasil em Barreiras não retornou aos contatos da reportagem. Nos bastidores, a cúpula do UB vê com bons olhos a aliança, mas aguarda a definição do nome que encabeçará a chapa majoritária. Pelo menos três nomes são cogitados para a candidatura a prefeito.
A reportagem também buscou o presidente do PL de Barreiras para comentar a repercussão da nota, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.