PF ouvirá novos depoimentos após descobrir nova joia de Bolsonaro vendida nos EUA

A Polícia Federal (PF) colheu elementos que indicam a venda de uma nova joia do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos e, com base nessa descoberta, deve ouvir novos depoimentos nos próximos dias.

Segundo apuração, a investigação teve origem a partir de informações de órgãos de controle dos EUA que detectaram a comercialização de uma peça de alto valor ligada ao ex-mandatário. A PF já havia apreendido joias recebidas da Arábia Saudita em 2023, no âmbito do inquérito das joias. Agora, o novo achado amplia o escopo da apuração e pode configurar crime de peculato, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.

Os investigadores pretendem ouvir ex-assessores do ex-presidente que tiveram acesso ao material e podem esclarecer a origem e o destino dos valores obtidos com a venda. Também devem ser chamados operadores financeiros que atuam no mercado de luxo nos EUA.

A defesa de Bolsonaro nega irregularidades e afirma que todas as transações foram legais. Em nota, os advogados declararam que o ex-presidente nunca vendeu ou autorizou a venda de bens públicos ou privados de forma ilícita.

O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que já autorizou a quebra de sigilos e a cooperação internacional. Especialistas ouvidos pela reportagem consideram que a descoberta de uma nova joia vendida pode complicar a situação jurídica do ex-presidente, que já responde a outros inquéritos.

A reportagem apurou que a PF também analisa registros de empresas de leilão e de casas de penhores nos EUA para rastrear o produto da venda. A expectativa é que novos elementos sejam incorporados ao inquérito ainda neste semestre.

O caso das joias é um dos principais focos da investigação contra Bolsonaro. Em agosto de 2023, a PF já havia recuperado um kit de joias sauditas avaliado em R$ 16,5 milhões. Além desse, outros itens foram doados ao acervo da Presidência. A venda não autorizada de bens públicos ou o recebimento de vantagens indevidas pode configurar peculato.

O ex-presidente nega que tenha se apropriado de bens públicos. Seus aliados argumentam que as joias eram presentes pessoais e que não há crime em recebê-los. No entanto, a legislação brasileira exige que bens de alto valor recebidos por autoridades sejam declarados e incorporados ao patrimônio público ou tributados.

Próximos passos: a PF deve concluir as oitivas em até 30 dias e apresentar relatório ao STF. O Ministério Público Federal acompanha os trabalhos.

Este é mais um capítulo da série de investigações que cercam o ex-presidente, que também é alvo de apurações sobre milícias digitais, tentativa de golpe e fraudes em cartões de vacinação.

Veja mais sobre o caso na categoria Poder e acompanhe as atualizações com a tag Jair Bolsonaro.