Economista Jorge Lélis analisa endividamento de Barreiras em entrevista à Oeste FM

O município de Barreiras, no oeste da Bahia, tem enfrentado desafios fiscais que comprometem sua capacidade de investimento e a prestação de serviços públicos. Em entrevista à Rádio Oeste FM, o economista Jorge Lélis analisou as raízes do endividamento e apontou caminhos para a recuperação fiscal.

Segundo o economista, o endividamento municipal é resultado de uma combinação de fatores estruturais, como a rigidez orçamentária, o crescimento acelerado das despesas com pessoal e a dependência de transferências governamentais. Barreiras, apesar de ser um polo regional importante, viu sua receita própria estagnar enquanto as obrigações financeiras aumentaram.

Cenário fiscal de Barreiras

Com cerca de 160 mil habitantes, Barreiras é a principal cidade do oeste baiano e exerce influência sobre dezenas de municípios vizinhos. No entanto, a administração municipal enfrenta dificuldades para equilibrar as contas. A dívida consolidada cresceu nos últimos anos, e o comprometimento da receita corrente líquida ultrapassou limites prudenciais, exigindo medidas drásticas de ajuste.

Jorge Lélis destacou que a prefeitura precisa urgentemente renegociar dívidas e reestruturar gastos para evitar o colapso financeiro. A situação é agravada pela queda na arrecadação de ICMS e pelo aumento das despesas obrigatórias, como saúde e educação.

Causas do endividamento

Entre os principais fatores apontados estão a falta de atualização da planta genérica de valores para o IPTU, a inadimplência de contribuintes e a excessiva dependência de repasses estaduais e federais. Além disso, a folha de pagamento cresceu acima da inflação, pressionando ainda mais o orçamento.

O economista também mencionou a necessidade de modernização da máquina pública e de maior eficiência na arrecadação. A adoção de tecnologia e a revisão de contratos com fornecedores podem gerar economia significativa.

Possíveis soluções

Jorge Lélis sugere um conjunto de medidas de curto, médio e longo prazo. No curto prazo, a renegociação da dívida com a União e a busca por linhas de crédito especiais podem aliviar o fluxo de caixa. No médio prazo, a implantação de programas de modernização tributária e a melhoria do ambiente de negócios podem ampliar a base de arrecadação.

O economista também defende maior transparência na gestão fiscal e participação da sociedade civil no controle das contas públicas. Com planejamento e responsabilidade, é possível reverter o quadro atual e retomar o crescimento sustentável.

A entrevista foi ao ar pela Rádio Oeste FM e repercutiu entre lideranças políticas e empresariais de Barreiras e região. O debate sobre a saúde fiscal do município deve continuar nos próximos meses, especialmente em razão das eleições municipais.