A Polícia Federal deflagrou a Operação Ceres para apurar um esquema de propina destinado à concessão de licenças ambientais no Oeste da Bahia. A ação, ocorrida em julho de 2024, mobilizou agentes em municípios da região.
Segundo as investigações, um grupo de empresários e servidores públicos atuava de forma coordenada para agilizar a liberação de autorizações ambientais mediante pagamento de vantagens indevidas. Os valores cobrados variavam conforme o porte do empreendimento, podendo chegar a cifras milionárias.
A operação cumpre mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. Além disso, foram determinadas medidas cautelares como o sequestro de bens e valores dos investigados.
O nome Ceres, deusa romana da agricultura, remete à forte presença do agronegócio na região Oeste da Bahia, onde a fiscalização ambiental é constantemente desafiada pelo avanço da fronteira agrícola.
De acordo com os investigadores, o esquema funcionava dentro de órgãos ambientais estaduais e municipais. Empresários do setor agropecuário e de mineração seriam os principais beneficiários, obtendo licenças sem passar por todas as etapas de análise técnica.
A PF também investiga a participação de despachantes e consultores que intermediavam o contato entre os empresários e os servidores públicos. A Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos alvos.
Os envolvidos poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. As penas, se somadas, podem ultrapassar 20 anos de reclusão.
A operação reforça a importância da transparência nos processos de licenciamento ambiental e do combate à corrupção no setor público.