Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revelou que o Brasil possui atualmente 300,8 mil pessoas vivendo em situação de rua. O número, que representa um aumento significativo na última década, acende um alerta para as políticas públicas de assistência social e habitação.
O estado de São Paulo concentra a maior parte dessa população, com mais de 80 mil pessoas em situação de rua — a maioria na capital paulista. A falta de moradia acessível, o desemprego e os problemas de saúde mental estão entre as principais causas apontadas por especialistas.
A pesquisa também destaca que a população em situação de rua é majoritariamente masculina, com cerca de 85% dos indivíduos sendo homens. Pessoas negras e pardas também são desproporcionalmente afetadas, representando mais de 60% do total.
Os dados reforçam a necessidade de políticas integradas entre os governos federal, estaduais e municipais para enfrentar o problema. Programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Bolsa Família têm ajudado, mas não são suficientes para lidar com a complexidade da situação.
Em São Paulo, a prefeitura tem implementado iniciativas como os Centros de Acolhida e o Programa De Braços Abertos, que combinam moradia provisória com acesso a trabalho e saúde. No entanto, a demanda ainda supera a oferta de vagas.
Organizações da sociedade civil também atuam na distribuição de alimentos, roupas e na oferta de serviços de saúde e assistência jurídica. A pandemia de Covid-19 agravou ainda mais a vulnerabilidade desse grupo.