Editores de livros apresentam ao governo Lula propostas para retomar aumento de leitores

Um grupo de editores de livros brasileiros apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um conjunto de propostas voltadas a reverter a queda no número de leitores no país. As sugestões incluem medidas fiscais, investimento em bibliotecas, fortalecimento do mercado editorial e campanhas nacionais de incentivo à leitura. O encontro ocorreu em Brasília no início de setembro e marcou a retomada do diálogo entre o setor e o governo federal.

O cenário da leitura no Brasil

O Brasil enfrenta um declínio consistente nos índices de leitura. Pesquisas setoriais apontam que o brasileiro lê, em média, menos de dois livros por ano fora os didáticos. A última edição do levantamento “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada pelo Instituto Pró-Livro, mostrou que a proporção de leitores caiu de 56% da população em 2015 para 48% em 2019. A pandemia agravou esse cenário, com o fechamento de livrarias e a redução do acesso físico a livros. Os editores veem com preocupação a tendência de descontinuidade de hábitos de leitura entre crianças e jovens.

Fatores como falta de acesso, preço elevado, concorrência com dispositivos digitais e baixo incentivo nas escolas são frequentemente citados como causas do encolhimento do público leitor. Para reverter esse quadro, o setor editorial defende políticas públicas coordenadas e investimento contínuo.

As principais propostas dos editores

Reunidos em audiência com o presidente Lula e representantes dos ministérios, os editores apresentaram cinco eixos prioritários:

  • Redução da carga tributária sobre os livros: zerar tributos federais (PIS, Cofins, IPI) que incidem sobre a cadeia produtiva do livro, barateando o preço final e ampliando o acesso. Embora os livros já contem com imunidade constitucional de IPI e ICMS em alguns estados, ainda incidem contribuições que oneram o produto.
  • Ampliação do programa de bibliotecas escolares: destinação de recursos específicos do Fundeb para criação e modernização de bibliotecas em todas as escolas públicas, com acervo diversificado e atualizado. A meta é que cada escola tenha ao menos uma biblioteca com profissionais capacitados.
  • Criação do “Vale-Livro”: benefício semelhante ao vale-alimentação, destinado a estudantes de baixa renda, que permitiria a compra de livros em livrarias credenciadas, movimentando o mercado editorial e incentivando o hábito desde a infância.
  • Apoio a livrarias independentes e sebos: linhas de crédito com juros reduzidos, isenção de taxas municipais e programas de fidelidade integrados com o governo para fortalecer os pequenos pontos de venda, essenciais para a capilaridade do mercado.
  • Campanha nacional de incentivo à leitura: ação integrada de mídia e eventos, com participação de escritores e influenciadores, para reposicionar a leitura como hábito cotidiano e formar novos leitores.

A receptividade do governo

O presidente Lula recebeu as propostas com atenção, ressaltando a importância do livro e da leitura para a formação cidadã e o desenvolvimento do país. O Ministério da Cultura, em conjunto com o Ministério da Educação e o Ministério da Fazenda, deve instituir um grupo de trabalho para detalhar as sugestões e apresentar um plano de implementação. A secretária de fomento cultural afirmou que a leitura é um eixo estratégico do governo e está alinhada com as metas de educação e inclusão social.

Desafios e perspectivas

Apesar da receptividade positiva, o caminho até a implementação enfrenta obstáculos. A situação fiscal do Brasil impõe limites à criação de novos programas; o vale-livro, por exemplo, exigiria aporte bilionário. Os editores argumentam que o investimento é necessário diante dos benefícios sociais e econômicos da leitura. Além disso, a articulação com estados e municípios é crucial para políticas como a ampliação de bibliotecas escolares.

O setor editorial confia na capacidade de diálogo e espera que as propostas avancem no Congresso Nacional. A expectativa é que parte das ações comece a ser implementada em 2025, especialmente as que dependem de decreto e não de projeto de lei. A retomada do crescimento do número de leitores, porém, exigirá políticas consistentes e continuidade ao longo dos próximos anos.

Perguntas frequentes

O que os editores pedem ao governo Lula?

Os editores apresentaram cinco eixos: redução de tributos sobre livros, ampliação de bibliotecas escolares, criação de um vale-livro para estudantes de baixa renda, apoio a livrarias independentes e campanha nacional de incentivo à leitura.

Por que o número de leitores caiu no Brasil?

Entre os fatores estão o preço elevado dos livros, a falta de bibliotecas acessíveis, a concorrência com telas e redes sociais e o baixo incentivo à leitura nas escolas.

O governo já se posicionou sobre as propostas?

O governo recebeu as propostas positivamente e estuda criar uma comissão interministerial para analisar a viabilidade fiscal e operacional de cada medida.

Quando as medidas podem ser implantadas?

Não há prazo definido, mas o setor editorial espera que parte das ações comece em 2025, especialmente as que não dependem de aprovação legislativa.