Abstenção no segundo turno das eleições de 2024 é a segunda maior desde 2000

O segundo turno das eleições municipais de 2024 registrou uma das maiores taxas de abstenção das últimas décadas, ficando atrás apenas do pleito de 2012. O índice elevado acende um alerta sobre o engajamento do eleitorado brasileiro em disputas locais.

Historicamente, eleições municipais costumam ter menor comparecimento do que as nacionais. Em 2024, fatores como o cansaço do eleitorado com campanhas prolongadas, a baixa polarização entre candidatos em diversas cidades e, em algumas regiões, as condições climáticas adversas no dia da votação podem ter contribuído para o alto número de ausentes.

A comparação com pleitos anteriores mostra que apenas o segundo turno de 2012 superou o índice de abstenção de 2024. Por outro lado, anos como 2004 e 2008 tiveram níveis mais baixos de ausência, indicando uma tendência de queda no comparecimento ao longo do tempo. Especialistas apontam que a falta de identificação do eleitor com as propostas locais e a desconfiança nas instituições políticas são causas recorrentes.

O perfil do eleitor que mais se abstém também merece atenção. Pesquisas de anos anteriores indicam que jovens entre 18 e 24 anos, pessoas com menor renda e residentes de grandes centros urbanos apresentam as maiores taxas de ausência. A ausência de representatividade e o descrédito no sistema político são frequentemente citados como motivos. A dificuldade de locomoção até os locais de votação em áreas periféricas também contribui para o quadro.

A pandemia de covid-19 alterou os hábitos da população e, embora em 2024 a normalidade sanitária já estivesse restabelecida, o legado de menor comparecimento observado em 2020 pode ter se mantido em parte. Além disso, a redução do tempo de campanha e a limitação de recursos para divulgação em algumas cidades podem ter diminuído o alcance das mensagens dos candidatos, impactando a mobilização do eleitor.

Outro ponto levantado por analistas é o efeito do voto obrigatório combinado com a baixa fiscalização. A multa para quem não vota é simbólica e, na prática, não gera consequências significativas, o que leva muitos eleitores a optarem pela ausência quando não se sentem motivados. Propostas de reforma política, como a implementação do voto facultativo, são frequentemente discutidas, mas ainda sem consenso.

Medidas como o fortalecimento da educação política nas escolas, a ampliação da votação em dois dias (sábado e domingo) e a melhoria do transporte público no dia da eleição são apontadas como caminhos possíveis para reverter o crescimento da abstenção. A criação de aplicativos de informação sobre candidatos e propostas também pode ajudar o eleitor a tomar uma decisão mais consciente.

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