PF apreende R$ 3 milhões em casa de desembargador aposentado investigado por venda de sentenças

A Polícia Federal (PF) cumpriu, em outubro de 2024, um mandado de busca e apreensão na residência de um desembargador aposentado suspeito de integrar um esquema de venda de sentenças judiciais. Durante a operação, os agentes apreenderam aproximadamente R$ 3 milhões em espécie, além de documentos e dispositivos eletrônicos que serão analisados.

A investigação, conduzida pela PF em conjunto com o Ministério Público, apura a suposta comercialização de decisões judiciais favoráveis a determinadas partes em troca de vantagens financeiras. O desembargador aposentado, que atuou em tribunais de segundo grau, seria um dos beneficiários do esquema, que teria operado por anos com ramificações em diferentes estados.

A apreensão de R$ 3 milhões em dinheiro vivo é considerada um forte indício de materialidade do crime. Segundo fontes da investigação, o valor é incompatível com a renda declarada pelo magistrado. A defesa do desembargador ainda não se manifestou sobre os fatos.

A operação integra um esforço mais amplo da PF para combater a corrupção no sistema judiciário brasileiro. Nos últimos anos, a instituição deflagrou diversas fases de operações voltadas a magistrados acusados de vender sentenças, desviar recursos e integrar organizações criminosas. A prática compromete a credibilidade da Justiça e afeta a confiança da população nas instituições.

O caso segue sob sigilo judicial. As investigações continuam para identificar outros envolvidos, incluindo advogados e empresários que possam ter se beneficiado das decisões ilícitas. A PF não descarta novas fases da operação.

O nome do desembargador não foi divulgado, em respeito ao sigilo das investigações. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanha o caso e pode se manifestar sobre eventuais medidas disciplinares contra o magistrado.