O Partido dos Trabalhadores (PT) enfrenta um cenário de encolhimento na Grande São Paulo e perda de relevância política no estado, um dos maiores colégios eleitorais do país. A legenda, que já governou a capital paulista por quatro gestões (2001-2016) e elegeu governadores no passado, viu sua capilaridade se reduzir drasticamente nos últimos ciclos eleitorais, especialmente na região metropolitana.
Queda nas prefeituras e câmaras municipais
Nas eleições municipais de 2024, o PT elegeu menos prefeitos na Grande São Paulo em comparação com pleitos anteriores. Cidades que antes eram redutos petistas, como Diadema, Mauá e Ribeirão Pires, apresentam disputas mais acirradas e, em alguns casos, a legenda perdeu a prefeitura ou não conseguiu recuperar o comando. Na capital, o partido não conseguiu lançar um nome competitivo e ficou fora do segundo turno pela segunda eleição consecutiva.
O número de vereadores eleitos também diminuiu. Em São Paulo, a bancada do PT na Câmara Municipal encolheu, refletindo a dificuldade de renovação e a rejeição ao partido em setores do eleitorado. O mesmo fenômeno se repete em cidades como Santo André, São Bernardo do Campo e Osasco, onde o PT perdeu assentos significativos.
Perda de relevância no estado
A influência política do PT no estado de São Paulo não se limita à Grande SP, mas o encolhimento nessa região tem impacto direto na capacidade da legenda de projetar candidaturas majoritárias para o governo estadual e o Senado. Desde a reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, o partido tentou se rearticular no estado, mas enfrenta resistência do eleitorado paulista, que historicamente rejeita candidatos petistas em eleições estaduais.
Nas eleições de 2022, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, obteve 40% dos votos no segundo turno, mas não conseguiu vencer. Desde então, o partido não conseguiu ampliar sua base no interior e nas regiões metropolitanas, perdendo espaço para partidos de centro-direita e para o bolsonarismo.
Fatores explicativos
Diversos fatores contribuem para o encolhimento do PT na Grande SP. O desgaste natural de um partido que ficou muitos anos no poder federal e estadual, as denúncias de corrupção que afetaram a imagem da legenda, e o avanço de novas forças políticas, como o PL, o Republicanos e o União Brasil, que conquistaram prefeituras e câmaras municipais.
Além disso, a rejeição ao PT no estado de São Paulo é historicamente mais alta que a média nacional. O antipetismo, impulsionado por polarização política, penaliza candidatos locais, mesmo quando as gestões municipais são bem avaliadas. A falta de renovação de quadros e a dependência da imagem de Lula também são apontadas como entraves para o crescimento no estado.
Consequências para o futuro
O encolhimento na Grande SP reduz a capacidade do PT de formar coalizões eleitorais e de influenciar a pauta política estadual. Sem uma base consolidada de prefeitos e vereadores, o partido enfrenta dificuldades para estruturar campanhas proporcionais e majoritárias. A legenda também perde espaço na arrecadação de recursos e na capilaridade para ações partidárias.
Para as eleições de 2026, o PT precisará reconstruir sua presença no estado, especialmente na região metropolitana, se quiser ter viabilidade para lançar candidaturas ao governo e ao Senado. Isso passa por fortalecer as direções municipais, atrair lideranças locais e apresentar propostas que dialoguem com o eleitorado paulista, que é mais conservador em temas econômicos e de segurança pública.
Perspectivas
Apesar do cenário adverso, o PT ainda conta com uma base fiel de eleitores na Grande SP, especialmente em cidades do ABC paulista, onde o partido tem histórica ligação com o sindicalismo. A legenda também mantém presença em movimentos sociais e em algumas universidades. A recuperação passa por uma reorganização interna e pela capacidade de apresentar novas lideranças que não dependam exclusivamente do carisma do presidente Lula.
O PT precisa investir em formação política, em comunicação digital e em propostas para áreas como segurança pública, geração de empregos e mobilidade urbana, temas prioritários para o eleitorado da Grande São Paulo. Somente assim poderá reverter o encolhimento e recuperar a relevância política no estado.