Avante cresce na Bahia com possível aumento de bancada e filiações de deputados do PL

O tabuleiro político da Bahia pode estar prestes a passar por uma significativa reconfiguração. O partido Avante, que vem buscando se consolidar como uma força de centro-direita no estado, está em negociações avançadas para filiar deputados estaduais que atualmente compõem a bancada do Partido Liberal (PL). A movimentação, que ocorre nos bastidores da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), promete alterar a correlação de forças e dar ao Avante um protagonismo inédito no legislativo baiano.

O Avante na Bahia

O Avante tem como principal liderança na Bahia o deputado estadual Raimundinho da Saúde, figura conhecida pelo trabalho na área da saúde e por uma atuação parlamentar voltada para as bases. A legenda, que nacionalmente passou por uma reestruturação após a saída do deputado federal André Janones, busca agora se firmar como um partido de centro-direita independente, capaz de atrair políticos que não se sentem confortáveis nem com a polarização extrema nem com a aliança com o governo federal.

Histórico e crescimento

Originalmente fundado como Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e renomeado em 2017, o Avante vem experimentando um crescimento orgânico em diversos estados. Na Bahia, o partido tem investido em uma estratégia de qualificação de seus quadros e de expansão territorial, especialmente em cidades do interior e da Região Metropolitana de Salvador. A legenda aposta em um discurso pragmático, focado em questões locais como geração de emprego, segurança pública e infraestrutura.

O movimento no PL baiano

A possível debandada de deputados do PL para o Avante não é um movimento isolado. Ela reflete uma insatisfação latente dentro da maior legenda de oposição ao governo Lula na Bahia.

Insatisfação com a direção estadual

O PL na Bahia é presidido pelo ex-ministro da Cidadania João Roma, uma liderança fortemente alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, parte da bancada estadual do partido tem origem no antigo "carlismo" e mantém relações políticas com o União Brasil de ACM Neto. Essa ala mais pragmática do partido se sente engessada pela orientação ideológica imposta pela cúpula nacional e busca uma legenda que ofereça maior autonomia para construir pontes com outros setores da política baiana, sem o desgaste da polarização nacional.

O Avante como alternativa

É nesse cenário que o Avante se apresenta como a alternativa ideal. O partido oferece uma estrutura nacional consolidada, com acesso a fundo partidário e tempo de TV, mas sem as amarras ideológicas impostas por outras siglas. Para os deputados do PL que desejam manter um perfil de oposição moderada e focada em pautas estaduais, o Avante surge como um porto seguro. Segundo fontes ouvidas pelo Repórter Brasil, as conversas envolvem pelo menos três deputados estaduais, mas o número pode aumentar caso o movimento ganhe corpo.

Impacto na Assembleia Legislativa

Se as filiações se confirmarem, o Avante saltará de uma para quatro ou cinco cadeiras na ALBA. Esse aumento de bancada tem implicações práticas importantes:

  • Comissões permanentes: O partido terá direito a indicações em comissões-chave, como a de Constituição e Justiça (CCJ) e a de Finanças.
  • Tempo de rádio e TV: O tempo de propaganda eleitoral gratuita do partido aumentará significativamente, um ativo político crucial para as eleições de 2026.
  • Mesa Diretora: Com uma bancada mais robusta, o Avante poderá pleitear cargos na Mesa Diretora da ALBA, ampliando seu poder de barganha e influência nas decisões legislativas.

Repercussão e cenário futuro

A movimentação do Avante acirra a disputa no campo da centro-direita baiana. Partidos como PP, União Brasil e Republicanos, que também disputam o mesmo eleitorado, terão que se reposicionar. O União Brasil, que hoje é a maior força de oposição, pode ver o Avante crescer e ocupar um espaço que antes era seu.

O PL, por sua vez, tenta estancar a crise. A direção nacional do partido deve reforçar a lealdade de seus quadros, mas a insatisfação local parece ser mais forte que a pressão externa. Caso a debandada se concretize, o PL perderá não apenas cadeiras, mas também capilaridade e influência política no estado, o que pode comprometer sua performance nas eleições de 2026.

O cenário é de atenção para todos os atores políticos. O crescimento do Avante na Bahia não é mais uma possibilidade distante; é um movimento em andamento que promete sacudir o tabuleiro político local e redefinir as alianças para os próximos ciclos eleitorais.

FAQ

O que é o partido Avante?

O Avante é um partido político brasileiro de centro-direita. Foi fundado em 1989 como Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e passou a se chamar Avante em 2017. A sigla tem representação na Câmara dos Deputados e em diversas assembleias legislativas estaduais.

Por que deputados do PL na Bahia querem migrar para o Avante?

A principal razão é a insatisfação com a direção estadual do PL, considerada muito alinhada às pautas nacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que limita a autonomia dos parlamentares para atuar em questões regionais e construir alianças locais.

Quantos deputados o Avante pode ganhar?

As negociações em curso envolvem pelo menos três deputados estaduais. Se o movimento ganhar força, o Avante pode quadruplicar sua bancada na ALBA, passando de um para quatro ou cinco deputados.

Como esse movimento impacta as eleições de 2026?

Um Avante mais forte na Bahia pode se consolidar como a principal alternativa de centro-direita no estado, atraindo eleitores que rejeitam tanto a polarização PT x PL quanto as legendas tradicionais. O partido terá mais tempo de TV e estrutura para lançar candidaturas próprias ou influenciar as coligações majoritárias.

O PL vai enfraquecer na Bahia?

Sim, a perda de deputados estaduais pode enfraquecer a legenda no estado, reduzindo sua representação parlamentar, seu tempo de propaganda eleitoral e sua capilaridade política, o que impacta diretamente sua capacidade de fazer oposição e de atrair novas lideranças.