O Brasil reduziu em 12% as emissões de gases do efeito estufa em 2024, na comparação com o ano anterior, segundo estimativas do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases do Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima. O principal motivo foi a queda expressiva do desmatamento na Amazônia Legal, que teve reflexo direto no setor de mudança do uso da terra, responsável por cerca de metade das emissões brasileiras. O resultado é o melhor desde 2020 e sinaliza que as políticas de controle do desmatamento começam a surtir efeito.
A importância da Amazônia para o clima
A Amazônia é um dos maiores sumidouros de carbono do planeta. Quando preservada, absorve grandes quantidades de CO₂. Quando desmatada ou queimada, libera esse carbono armazenado, contribuindo significativamente para o aquecimento global. No Brasil, as emissões por mudança do uso da terra — basicamente desmatamento e queimadas — representam aproximadamente 46% do total de emissões brutas do país, de acordo com dados do SEEG. Portanto, conter o desmatamento é a estratégia mais rápida e eficiente para reduzir a pegada de carbono brasileira.
Queda no desmatamento impulsiona resultado
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que a taxa de desmatamento na Amazônia Legal caiu de forma expressiva em 2024, atingindo o menor patamar dos últimos cinco anos. Essa redução foi puxada por ações integradas de fiscalização do Ibama e do ICMBio, pelo uso de sistemas de monitoramento por satélite em tempo real e pela colaboração com os estados da Amazônia Legal. Além disso, a retomada do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), fortalecido no atual governo, trouxe mais efetividade às operações em campo.
A redução do desmatamento permitiu que as emissões do setor de mudança do uso da terra caíssem aproximadamente 20%, o que respondeu pela maior parte da queda de 12% do total nacional. Os demais setores — energia, agropecuária, processos industriais e resíduos — mantiveram-se estáveis ou apresentaram pequenas variações.
Metas climáticas e o compromisso brasileiro
O Brasil é signatário do Acordo de Paris e se comprometeu, em sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), a reduzir 48% das emissões até 2025 e 53% até 2030, em relação aos níveis de 2005. A meta de longo prazo é alcançar a neutralidade climática até 2050. A queda de 12% em 2024 representa um avanço importante, mas analistas alertam que o país precisa acelerar ainda mais para cumprir os compromissos assumidos internacionalmente.
O governo federal também assumiu a meta de zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2028, objetivo que exigirá continuidade das políticas de fiscalização, regularização fundiária e incentivos a atividades econômicas sustentáveis na região.
Desafios para a sustentabilidade
Apesar dos avanços, a floresta amazônica ainda enfrenta pressões significativas. Crimes ambientais como grilagem de terras, garimpo ilegal, extração madeireira criminosa e invasão de terras indígenas continuam a ocorrer. O contingenciamento de recursos para órgãos ambientais e a falta de efetivo em áreas remotas dificultam o combate a essas atividades.
Além disso, outros biomas brasileiros, como o Cerrado, continuam a perder vegetação nativa para a expansão agropecuária, o que pode compensar parcialmente os ganhos obtidos na Amazônia. Especialistas defendem a criação de um arcabouço legal mais robusto e o aumento de investimentos em ciência, tecnologia e inovação para o monitoramento ambiental.
Perguntas Frequentes
O que são gases do efeito estufa?
São gases que retêm calor na atmosfera, como dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O). Suas emissões excessivas intensificam o aquecimento global.
Por que o desmatamento aumenta as emissões?
As florestas armazenam carbono. Quando são derrubadas ou queimadas, esse carbono é liberado na forma de CO₂ e outros gases.
O que o Brasil tem feito para reduzir o desmatamento?
O país retomou o PPCDAm, reforçou a fiscalização do Ibama e do ICMBio, ampliou o monitoramento por satélite e promoveu ações integradas com os estados.
A redução de 12% é suficiente para cumprir as metas do Acordo de Paris?
É um passo relevante, mas ainda insuficiente. O Brasil precisará manter a tendência de queda nos próximos anos e também descarbonizar outros setores.
Perspectivas para 2025
A expectativa é que o desmatamento continue caindo, com o aprimoramento das tecnologias de monitoramento e o fortalecimento das políticas ambientais. No entanto, a conjuntura econômica e política pode influenciar os resultados. A transição para uma economia de baixo carbono depende de investimentos em energias renováveis, agricultura sustentável e bioeconomia. O Brasil tem potencial para ser líder global nessa área, desde que haja vontade política e orçamento adequado.
A queda de 12% nas emissões totais brasileiras em 2024 é uma notícia alentadora para o clima global. Ela demonstra que o combate ao desmatamento na Amazônia tem efeitos diretos e imediatos na redução das emissões de gases do efeito estufa. Porém, o país não pode relaxar na vigilância; os desafios estruturais permanecem e exigem ação contínua de todos os setores da sociedade.