Brics avança no uso de moedas locais para comércio e investimentos, sob presidência brasileira

O BRICS têm dado passos significativos no sentido de ampliar o uso de moedas locais nas transações comerciais e de investimentos entre seus membros, movimento que ganhou impulso durante a presidência brasileira do bloco em 2025. A iniciativa representa uma tentativa concreta de reduzir a dependência do dólar americano e criar um sistema financeiro multipolar mais alinhado aos interesses das economias emergentes.

O que está em jogo?

A proposta de utilizar moedas nacionais — como real, rublo, rupia, yuan e rand — nas trocas bilaterais e multilaterais não é nova, mas avançou de forma mais consistente nos últimos meses. Durante a presidência brasileira, foram realizadas reuniões técnicas e discussões sobre mecanismos de compensação e liquidação que possam viabilizar operações em moedas locais sem a necessidade de conversão prévia para o dólar.

Impactos para o comércio entre os países do bloco

Para o Brasil, a ampliação do comércio em moedas locais pode reduzir custos de transação, diminuir a exposição cambial e facilitar o acesso a mercados como China, Índia e África do Sul. Setores como agronegócio, mineração e manufatura tendem a se beneficiar de transações mais diretas. Além disso, a medida pode estimular novos fluxos de investimento entre os BRICS, especialmente em infraestrutura e energia.

Desafios e perspectivas

Apesar do avanço político, ainda existem desafios técnicos e institucionais significativos: a volatilidade de algumas moedas, a falta de liquidez em mercados cambiais locais e a necessidade de um sistema de compensação robusto. O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), criado pelos BRICS, tem um papel crucial nesse processo, podendo atuar como facilitador de operações em moedas locais. A presidência brasileira tem defendido a criação de mecanismos concretos para acelerar essa transição.

A tendência é que o uso de moedas locais continue a se expandir nos próximos anos, não apenas entre os BRICS, mas também em suas relações com outras economias emergentes. O avanço durante a presidência brasileira sinaliza que o bloco está determinado a construir alternativas viáveis ao sistema financeiro dominante.