Festa pré-carnavalesca em Barreiras expõe perseguição política e hipocrisia sobre poluição sonora

Uma festa pré-carnavalesca realizada no último fim de semana em Barreiras, no oeste da Bahia, tornou-se palco de uma controvérsia que mistura política, acusações de perseguição e questionamentos sobre os critérios de fiscalização da poluição sonora na cidade.

O evento

Promovida por um grupo político local, a celebração contou com trio elétrico, bandas e milhares de foliões que tomaram uma das ruas tradicionais do centro. A festa, que ocorre há anos na cidade, tinha como objetivo antecipar o clima do carnaval e movimentar a economia local. No entanto, o alto volume de som atraiu não apenas participantes, mas também reclamações de moradores vizinhos.

Denúncia e fiscalização

Segundo relatos, adversários políticos registraram queixa na delegacia e acionaram a fiscalização ambiental do município. Agentes da prefeitura e da Polícia Militar compareceram ao local, realizaram medições de ruído e emitiram uma notificação por suposta infração à lei de poluição sonora. A medição indicou níveis acima do permitido para a zona urbana, o que levou à interdição parcial do evento.

Reação dos organizadores

Os organizadores afirmam que a ação foi motivada por perseguição política. Eles apontam que outros eventos similares — inclusive promovidos por grupos rivais — ocorreram nas mesmas ruas com som igual ou superior e não sofreram qualquer restrição. “É uma perseguição clara. Estão usando a legislação de ruído para calar a nossa manifestação cultural e política”, declarou um dos coordenadores da festa.

Hipocrisia e seletividade

A polêmica reacendeu o debate sobre a aplicação seletiva das leis de ruído em Barreiras. Moradores ouvidos pela reportagem relataram que obras noturnas, shows sem alvará e eventos de grandes empresas frequentemente ultrapassam os limites sonoros sem qualquer punição. “A lei é a mesma para todos, mas na prática só é aplicada contra quem não tem aliança com o prefeito”, afirmou um comerciante local que preferiu não se identificar.

Especialistas em direito ambiental explicam que a legislação municipal estabelece limites claros de decibéis, mas a fiscalização depende de denúncia e da vontade política do executivo. Quando há interesse em prejudicar um adversário, a máquina pública age rápido; caso contrário, a lei fica no papel. Essa seletividade alimenta a desconfiança na imparcialidade do poder público.

Legislação e contexto

Barreiras, como a maioria das cidades brasileiras, possui uma lei de silêncio que disciplina horários e limites de ruído. O problema, apontam especialistas, não está na lei em si, mas na forma como ela é aplicada. O episódio expõe a fragilidade dos órgãos fiscalizadores e o uso da máquina administrativa como ferramenta de perseguição política.

O Ministério Público da Bahia foi acionado por representantes do grupo organizador para investigar possível abuso de autoridade e tratamento discriminatório. Até o fechamento desta edição, a prefeitura de Barreiras não se manifestou oficialmente sobre o caso.

Implicações políticas

O caso ganhou repercussão nas redes sociais e entre lideranças políticas da região. Para analistas, a situação revela como temas técnicos — como a poluição sonora — podem ser instrumentalizados em disputas políticas locais. No período pré-carnavalesco, quando as tensões entre grupos rivais costumam aumentar, o episódio serve como alerta para a necessidade de critérios técnicos e transparentes na fiscalização.

Enquanto o carnaval não chega, Barreiras vive um clima de debate sobre democracia, direito à festa e o papel do Estado na mediação de conflitos. A expectativa é que o Ministério Público ajude a esclarecer se houve perseguição ou mero cumprimento da lei.