O Partido Progressista (PP) deve retornar à base de apoio do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia, após um entendimento político costurado entre o senador Jaques Wagner (PT) e o presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira (PP). A movimentação pode reconfigurar o tabuleiro político baiano às vésperas das eleições municipais de 2024.
As negociações vinham sendo conduzidas nos bastidores há semanas. O PP havia se distanciado do governo nos primeiros meses da gestão Jerônimo, mas as articulações comandadas por Jaques Wagner conseguiram reverter o quadro. O acordo prevê que a legenda volte a ocupar espaços na administração estadual e apoie as pautas do governo na Assembleia Legislativa.
Para o governador, a adesão do PP fortalece a base aliada e amplia a governabilidade em um momento de desafios fiscais e políticos. Para o partido, estar na base garante acesso a cargos e recursos, além de manter relevância política no estado. A Bahia é um dos principais redutos do PP, que possui bancada expressiva na Câmara e controla dezenas de prefeituras.
A reaproximação também tem impacto na sucessão municipal de 2024. Com o retorno ao governo, o PP deve apoiar candidatos alinhados ao Palácio de Ondina em cidades estratégicas, como Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista. A expectativa é de que o acordo seja formalizado nas próximas semanas, com anúncio conjunto de lideranças.
Analistas políticos apontam que a aliança representa um movimento de pragmatismo, comum na política baiana, onde antigos adversários se unem em torno de interesses comuns. O entendimento entre Jaques Wagner e Ciro Nogueira é visto como um sinal de capacidade de diálogo entre campos historicamente opostos.
Com a volta do PP, a base de Jerônimo Rodrigues passa a contar com o apoio de legendas como PT, PP, PSD, MDB e Republicanos, consolidando um arco de alianças que pode se refletir nas urnas em 2024. A oposição, por sua vez, perde um importante aliado que poderia engrossar o coro crítico ao governo.
O PP na Bahia é presidido pelo deputado federal João Leão, ex-vice-governador. A legenda possui forte capilaridade no interior e tem tradição de alianças pragmáticas. A volta ao governo é vista como natural por lideranças locais, que sempre mantiveram canais de diálogo com o Executivo estadual.
Nos próximos dias, deverão ocorrer reuniões para definir os cargos que o partido ocupará na administração estadual. As secretarias de Agricultura e de Desenvolvimento Econômico são algumas das mais cotadas. O anúncio oficial deve ocorrer em evento com a presença de Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner e Ciro Nogueira.