Rio de Janeiro sediará cúpula do BRICS em julho reforçando protagonismo internacional

A cidade do Rio de Janeiro foi escolhida para sediar a cúpula do BRICS em julho de 2025, consolidando o papel do Brasil como um dos principais articuladores do bloco que reúne as maiores economias emergentes do planeta. O anúncio foi recebido com entusiasmo por diplomatas e analistas, que veem no evento uma oportunidade de ampliar a influência brasileira nas discussões sobre reforma da governança global, comércio multilateral e desenvolvimento sustentável.

O BRICS — formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — representa cerca de 40% da população mundial e aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB) global. A cúpula do Rio será a primeira realizada no Brasil desde 2010, quando Brasília sediou o encontro. Desde então, o bloco criou o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e avançou em acordos de cooperação financeira e tecnológica.

Rio como centro diplomático

A escolha do Rio de Janeiro como sede não é casual. A cidade tem tradição em receber grandes eventos internacionais — como a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), a Jornada Mundial da Juventude e os Jogos Olímpicos de 2016 — e dispõe de infraestrutura hoteleira, aeroportuária e de segurança para acolher delegações de alto nível. O Palácio do Itamaraty, no bairro do Glória, e o Centro de Convenções SulAmérica estão entre os locais cotados para as reuniões.

Para o governo brasileiro, sediar a cúpula é uma chance de reforçar a imagem do país como um protagonista global, especialmente em um momento em que o Brasil preside o G20 e busca uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. A presença dos líderes da China, Índia e Rússia também pode alavancar negociações bilaterais em áreas como energia, tecnologia e infraestrutura.

Temas esperados na pauta

Entre os tópicos que devem dominar as discussões estão a ampliação do BRICS — com a possível entrada de novos membros como Arábia Saudita, Irã, Indonésia e Egito —, o fortalecimento do NDB como alternativa ao Banco Mundial e ao FMI, e a criação de mecanismos de pagamento em moedas locais para reduzir a dependência do dólar. A crise climática e a transição energética também estarão na mesa, com ênfase em financiamento verde e cooperação tecnológica para energias renováveis.

Outro ponto sensível é a segurança alimentar e o combate à fome, temas caros ao Brasil e que podem ganhar impulso com a experiência brasileira em agricultura tropical e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. A reforma das instituições multilaterais — ONU, OMC, FMI — é uma reivindicação histórica dos países do bloco e deve ser reiterada na declaração final.

Cooperação em ciência e tecnologia

Além das questões econômicas, o BRICS tem investido em programas conjuntos de pesquisa, como o satélite de observação terrestre (constelação BRICS) e a rede de centros de pesquisa em vacinas. O Brasil pode contribuir com sua expertise em biocombustíveis, agricultura tropical e tecnologias sociais, ampliando a cooperação Sul-Sul.

Desafios e perspectivas

O bloco enfrenta críticas por sua heterogeneidade e por divergências internas, especialmente em relação à guerra na Ucrânia e às sanções econômicas. A cúpula do Rio será um teste para a capacidade de concertação entre países com visões distintas sobre a ordem internacional. Ainda assim, a maioria dos analistas considera que o BRICS segue relevante como fórum de articulação do Sul Global e de contraponto às instituições lideradas pelo Ocidente.

Expectativas para julho

A expectativa é que a cúpula reúna cerca de 5 mil participantes, entre chefes de Estado, delegações oficiais, jornalistas e representantes da sociedade civil. A segurança será reforçada com esquema especial, envolvendo Polícia Federal, Força Nacional e Polícia Militar do Rio de Janeiro. A Prefeitura do Rio já anunciou melhorias na infraestrutura urbana e na mobilidade para receber os visitantes.

Para quem quiser acompanhar os desdobramentos, a cobertura completa estará nas categorias Mundo e Economia do Repórter Brasil. O site também trará análises e entrevistas sobre os impactos da cúpula para o Brasil e para a geopolítica global.