Em pronunciamento na Câmara Municipal de Barreiras, no oeste baiano, a vereadora denunciou que a rede pública de ensino do município transformou-se em um "balcão de negócios" administrado por interesses político-partidários. Segundo a parlamentar, as práticas irregulares vão desde a nomeação de diretores sem critérios técnicos até a montagem de contratos superfaturados de merenda e transporte escolar.
"O que vemos é a troca de cargos na educação por apoio político. As salas de aula ficam em segundo plano, enquanto os acordos de gabinete decidem quem vai ensinar nossas crianças", declarou a vereadora, que preferiu não divulgar nomes antes de formalizar a denúncia junto ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) e ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).
A situação descrita não é isolada. Diversos municípios do interior nordestino convivem com a interferência política na gestão escolar, comprometendo indicadores como IDEB e evasão escolar. Especialistas apontam que a ausência de concursos públicos e a alta rotatividade de professores agravam o problema, transformando a educação em moeda de barganha eleitoral.
Em Barreiras, importante polo regional no oeste baiano, a educação pública atende milhares de crianças e jovens. A vereadora cobrou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar contratos e nomeações, além de auditoria externa independente. "A população de Barreiras merece transparência. Não podemos permitir que o futuro de nossas crianças seja negociado como mercadoria", afirmou.
A Secretaria Municipal de Educação foi procurada pela reportagem do Repórter Brasil, mas ainda não se manifestou sobre as acusações. O espaço segue aberto para esclarecimentos. A sociedade civil organizada, por meio de associações de pais e mestres, também cobra respostas e a realização de concurso público para professores e funcionários.
O episódio acende o alerta para um problema crônico na educação brasileira: a politização da gestão escolar. Enquanto não houver mecanismos efetivos de controle e transparência, denúncias como a de Barreiras tendem a se repetir em todo o país. O Repórter Brasil continuará acompanhando o caso.