O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), divulgou nesta semana uma pesquisa de intenção de votos que aponta sua liderança no cenário sucessório estadual. O levantamento, encomendado por seu grupo político, mostra vantagem sobre potenciais adversários, reforçando a estratégia de consolidar seu nome antes do período legal de campanha.
No entanto, a oposição baiana já reage ao movimento com um discurso que evoca eleições passadas. Lideranças do PT e de outros partidos de esquerda afirmam que a divulgação da pesquisa busca criar um clima de “déjà vu eleitoral”, tentando repetir a narrativa de que o neto de Antônio Carlos Magalhães é o nome imbatível na Bahia.
Cenário político baiano
A Bahia tem um histórico de forte influência da família Magalhães, que dominou a política estadual por décadas. ACM Neto, como neto do falecido ACM, busca recuperar o espaço perdido pelo grupo nas últimas eleições. Desde 2006, o PT governa o estado, mas a popularidade do atual governador enfrenta desafios.
A pesquisa divulgada pelo grupo de ACM Neto aponta, segundo fontes, que ele lidera em todos os cenários estimados. A vantagem seria significativa, embora os números exatos não tenham sido revelados. A estratégia de antecipar a divulgação do levantamento é vista como uma tentativa de pautar o debate político e atrair apoios.
Reação da oposição
O PT baiano, principal adversário de ACM Neto, reagiu com cautela. Em nota, a legenda afirmou que “pesquisas encomendadas por candidatos devem ser vistas com ressalvas” e que a verdadeira força política será testada nas urnas. No entanto, nos bastidores, há preocupação com o cenário que se desenha.
A oposição teme que a eleição de 2026 se torne uma repetição de pleitos anteriores, onde o nome dos Magalhães saía vitorioso. “Sentimos o cheiro de um déjà vu eleitoral”, comentou um dirigente partidário sob anonimato. “Precisamos renovar o discurso e mostrar que a Bahia mudou”, completou.
Histórico de déjà vu
Para analistas, a expressão “déjà vu eleitoral” cabe bem no cenário baiano. Desde a redemocratização, a família Magalhães venceu várias disputas consecutivas, alternando entre ACM e seus aliados. A derrota de ACM Neto em 2022 foi um ponto de inflexão, mas ele se reorganizou para 2026.
O sentimento de repetição é reforçado pela pesquisa que o coloca na frente. A oposição sabe que, se não conseguir mudar a narrativa, corre o risco de assistir a mais uma vitória do grupo carlista.
Perspectivas
O cenário ainda é fluido, com possíveis mudanças até o registro das candidaturas. ACM Neto aposta na união de partidos de centro-direita e no desgaste da gestão petista. Já a oposição tenta se unir em torno de um nome forte para evitar a fragmentação.
A pesquisa divulgada agora serve como um termômetro, mas a campanha deve se intensificar nos próximos meses. O resultado das urnas dirá se o déjà vu se confirmará ou se a Bahia reserva uma surpresa.
Comentários
Os comentários estão fechados para esta matéria.