Barrado no STF, deputado do PL dispara contra segurança: “Filho da Puta”

Um deputado do Partido Liberal (PL) foi impedido de ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) na manhã desta quarta-feira (15). Segundo relatos de testemunhas, ao ser barrado pela equipe de segurança do tribunal, o parlamentar teria perdido o controle e proferido ofensas, chamando os agentes de “filho da puta”. O episódio rapidamente gerou reações no meio político e jurídico.

O incidente

De acordo com fontes ligadas à segurança do STF, o deputado chegou à sede do tribunal por volta das 10h e tentou acessar o edifício principal sem passar pelo procedimento padrão de credenciamento. Ao ser abordado pelos seguranças, o parlamentar teria iniciado uma discussão acalorada. “Ele estava bastante exaltado e começou a gritar xingamentos. Em determinado momento, disse claramente ‘vocês são uns filhos da puta’”, relatou um agente que preferiu não se identificar.

O protocolo de segurança foi imediatamente acionado. O deputado foi convidado a se retirar do local, e a ocorrência foi comunicada à presidência do STF, que decidirá sobre as medidas cabíveis.

Reações imediatas

O caso foi encaminhado à Câmara dos Deputados. A mesa diretora informou que o episódio será analisado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. “A conduta do parlamentar, se confirmada, é incompatível com o decoro exigido para o exercício do mandato”, afirmou um líder partidário sob reserva.

Deputados de diferentes espectros políticos condenaram a agressão verbal. Alguns aliados do parlamentar, no entanto, ponderaram que ele “agiu sob estresse” e que a segurança do STF “por vezes age com excessos”.

Contexto de segurança no STF

O STF reforçou seu esquema de segurança após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Desde então, o acesso ao edifício é rigorosamente controlado: visitantes precisam de credenciamento prévio, e mesmo parlamentares devem justificar a presença e passar por revista. O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, já afirmou que a Corte não tolerará desacatos nem tentativas de intimidação.

“A segurança do STF é inegociável. Qualquer desrespeito será tratado com o rigor da lei”, disse o ministro em ocasião anterior.

Possíveis consequências

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a conduta do deputado pode configurar crime de desacato, previsto no Código Penal (artigo 331). Além disso, o parlamentar pode responder a processo disciplinar na Câmara, com penas que vão desde a perda do tempo de fala até a suspensão do mandato.

Lideranças do PL ainda não se pronunciaram oficialmente. A assessoria do partido afirmou que aguarda a manifestação do deputado antes de se posicionar.

O debate sobre a relação entre os Poderes

O incidente reacende a discussão sobre os limites da atuação parlamentar e o respeito às instituições. Para analistas políticos, o episódio é mais um capítulo na tensão entre alguns setores do Legislativo e o Judiciário. “Não se trata de um fato isolado. Há um padrão de retórica agressiva que precisa ser enfrentado”, avaliou um cientista político.

O Repórter Brasil tenta contato com a assessoria do deputado para esclarecimentos e aguarda posicionamento oficial. A reportagem será atualizada assim que houver novas informações.