PF apreende dinheiro e joias em casa de secretário na 3ª Fase da Operação Overclean com vínculos ao governo ACM Neto em Salvador

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (15), a 3ª fase da Operação Overclean, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre um esquema de desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro que teria ocorrido durante a gestão do ex-prefeito ACM Neto em Salvador. As equipes cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de um secretário municipal, onde foram localizadas grandes quantias em dinheiro, joias e documentos de interesse para a investigação.

De acordo com a PF, o esquema investigado envolve a contratação de empresas de fachada para prestação de serviços à prefeitura, com superfaturamento e direcionamento de licitações. O secretário alvo da operação é apontado como um dos principais operadores do esquema, tendo recebido vantagens indevidas para facilitar os contratos. Durante as buscas, os agentes apreenderam maços de dinheiro em espécie, relógios de alto valor, joias, computadores e documentos que comprovariam as ligações com o governo ACM Neto.

ACM Neto, presidente nacional do União Brasil e uma das principais lideranças políticas do Nordeste, governou Salvador de 2013 a 2020. Sua gestão é alvo de diversas investigações sobre possíveis irregularidades em contratos públicos, especialmente na área de limpeza urbana e publicidade. A Operação Overclean, que teve início em 2024, já resultou em prisões e afastamentos de servidores municipais.

A 3ª fase da operação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e conta com a participação de cerca de 50 policiais federais, além de auditores da Receita Federal. As medidas incluem também o bloqueio de bens e valores dos investigados, com o objetivo de recuperar ativos desviados. A Justiça determinou ainda o sequestro de imóveis e veículos ligados ao grupo.

Os investigados poderão responder por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude a licitação. As penas somadas podem ultrapassar 30 anos de prisão. A defesa do secretário ainda não se manifestou; a reportagem busca contato com os advogados. A PF informou que as investigações continuam e novas fases não estão descartadas.

O caso tem grande repercussão na Bahia e reacende o debate sobre a transparência na administração pública. A população soteropolitana acompanha atentamente o desenrolar dos fatos, enquanto as autoridades seguem trabalhando para esclarecer todos os detalhes do esquema.