Um vídeo que circula nas redes sociais flagrou o momento em que um casal de idosos tenta se jogar nos trilhos de uma estação de trem em Buenos Aires, na Argentina. A motivação, segundo relatos, seria o desespero financeiro causado pelos cortes nas aposentadorias promovidos pelo governo de Javier Milei. As imagens, que rapidamente se espalharam, reacenderam o debate sobre o custo humano das reformas econômicas do presidente ultraliberal.
Contexto das reformas de Milei
Desde que assumiu o poder, em dezembro de 2023, Javier Milei implementou um duro ajuste fiscal para conter a hiperinflação e o déficit público. Entre as medidas estão a redução de subsídios, demissões no setor público e cortes nas pensões e aposentadorias, que tiveram reajustes muito abaixo da inflação. A situação tem levado milhares de aposentados argentinos a uma condição de vulnerabilidade extrema.
O vídeo e a comoção
No vídeo, gravado provavelmente na estação de Once, na capital argentina, os dois idosos aparecem abraçados à beira da plataforma, visivelmente abalados. Passageiros e seguranças conseguiram contê-los a tempo e acionaram o serviço de emergência. A identidade do casal não foi divulgada, mas a imprensa local informou que ambos foram encaminhados para atendimento psicológico e estão fora de perigo.
Impacto social dos cortes
O incidente é mais um capítulo trágico das consequências sociais do programa de austeridade de Milei. Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) mostram que a inflação acumulada nos últimos doze meses superou 200%, enquanto as aposentadorias mínimas tiveram reajuste médio de cerca de 100%. Na prática, o poder de compra dos beneficiários caiu pela metade.
Organizações de defesa dos direitos dos idosos, como a Defensoría de la Tercera Edad, já haviam alertado para o aumento de casos de depressão e ideação suicida entre aposentados. Em nota, a entidade classificou o ocorrido como "um grito de socorro de uma geração abandonada pelo Estado".
Resposta do governo
O governo Milei, por sua vez, defende que as medidas são inevitáveis para estabilizar a economia e atrair investimentos. Em pronunciamento recente, o ministro da Economia, Luis Caputo, afirmou que "não há alternativa ao ajuste" e que a situação começará a melhorar no segundo semestre de 2025, quando sinais de recuperação devem aparecer. Críticos, no entanto, argumentam que o ajuste está sendo feito às custas dos mais pobres.
O caso do casal de idosos na estação de trem simboliza o extremo a que muitas famílias argentinas estão sendo levadas. Enquanto o governo insiste nas reformas, a sociedade assiste preocupada ao aumento da desigualdade e do sofrimento. O vídeo viralizou não apenas na Argentina, mas em toda a América Latina, servindo como alerta sobre os riscos de reformas previdenciárias feitas sem rede de proteção.