Primeiros anos e formação

Antonieta de Barros nasceu em Desterro (atual Florianópolis), Santa Catarina, em 17 de julho de 1898. Filha de uma ex-escrava, cresceu em um ambiente de superação. Formou-se professora pela Escola Normal Catarinense, iniciando uma carreira dedicada à educação. Em 1916, fundou o jornal "A Semana", publicação de cunho literário e feminino que circulou por mais de uma década.

Carreira política

Elegeu-se deputada estadual em 1934 pelo Partido Liberal Catarinense (PLC), tornando-se a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no legislativo brasileiro. Durante seu mandato, defendeu a criação de escolas profissionalizantes, a ampliação do ensino primário e os direitos das mulheres. Com o golpe do Estado Novo em 1937, teve seu mandato cassado. Voltou à política em 1947, sendo reeleita deputada estadual, agora pelo Partido Social Democrático (PSD), onde continuou sua luta pela educação gratuita e de qualidade.

Atuação na imprensa e no associativismo

Além da vida política, Antonieta manteve intensa atividade como jornalista. Foi redatora e editora do semanário "A Semana", que se tornou um importante veículo de expressão das ideias feministas e educacionais da época. Também foi membra da Academia Catarinense de Letras e colaborou em diversos periódicos. Fundou a União Feminina Catarinense, agremiação que congregava mulheres intelectualizadas e promovia conferências, cursos e ações beneficentes, fortalecendo a participação feminina na esfera pública.

Contribuições para a educação e o feminismo

Como educadora, lecionou em diversas escolas e foi diretora do Grupo Escolar Lauro Müller. Sua atuação parlamentar foi marcada por projetos voltados à ampliação do acesso à educação, especialmente para crianças pobres e negras. Participou ativamente da luta pelo voto feminino e integrou o movimento sufragista catarinense. Seu trabalho inspirou gerações de mulheres negras a buscar no estudo um caminho de ascensão social e cidadania.

Legado e homenagens

Antonieta de Barros faleceu em 20 de julho de 1952, três dias após completar 54 anos. Deixou um legado de pioneirismo e resistência. Seu nome batiza escolas, ruas e o prêmio "Diploma Antonieta de Barros", concedido pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina a pessoas que se destacam na defesa dos direitos humanos e da igualdade racial. Em 2022, teve seu nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, reconhecimento nacional a sua contribuição histórica.

AnoMarco
1898Nascimento em Florianópolis
1916Fundação do jornal "A Semana"
1934Eleita deputada estadual – a primeira mulher negra no parlamento brasileiro
1937Mandato cassado pelo Estado Novo
1947Reeleita deputada estadual pelo PSD
1952Falecimento
2022Inscrição no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria