A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é um dos principais insetos-praga que afetam a cultura do milho no Brasil, responsável pela transmissão de doenças como o enfezamento pálido e o enfezamento vermelho, que podem reduzir drasticamente a produtividade das lavouras. Conheça suas características, ciclo de vida, impactos e as melhores estratégias de controle.

O que é a cigarrinha-do-milho?

Pequeno inseto da ordem Hemiptera, família Cicadellidae, a cigarrinha-do-milho mede entre 3 e 4 mm de comprimento e apresenta coloração palha com duas manchas escuras características na cabeça. Alimenta-se da seiva do floema das plantas de milho e atua como vetor de molicutes (espiroplasma e fitoplasma) que causam os enfezamentos. Suas ninfas são semelhantes aos adultos, porém menores e sem asas, passando por cinco instares ao longo de 15 a 20 dias até atingirem a fase adulta.

Ciclo de vida e reprodução

O ciclo biológico da cigarrinha-do-milho é fortemente influenciado pela temperatura. Em condições ideais, entre 25 °C e 30 °C, o desenvolvimento de ovo a adulto pode ocorrer em cerca de 20 a 30 dias. As fêmeas depositam os ovos dentro dos tecidos das folhas, preferencialmente na nervura central. Cada fêmea pode colocar centenas de ovos ao longo de sua vida. Essa alta capacidade reprodutiva, aliada ao curto ciclo, permite a ocorrência de múltiplas gerações durante uma safra de milho, o que explica a rápida explosão populacional da praga em condições favoráveis, especialmente em regiões de cultivo contínuo.

Impactos na agricultura

Os prejuízos econômicos causados pela cigarrinha-do-milho são elevados, especialmente em lavouras de milho safrinha e em regiões de cultivo contínuo, como o Centro-Oeste e o Sudeste do Brasil. Em lavouras não manejadas, as perdas podem chegar a 100%, com completa inviabilidade da colheita. As plantas infectadas apresentam redução do porte, entrenós encurtados, espigas mal formadas e grãos chochos, comprometendo tanto a produtividade quanto a qualidade do milho colhido. Além das perdas diretas, há custos adicionais com inseticidas e manejo.

Sintomas dos enfezamentos

Os enfezamentos transmitidos pela cigarrinha-do-milho manifestam-se de duas formas principais. No enfezamento pálido, as folhas mais velhas desenvolvem estrias cloróticas (amareladas) nas bordas, que avançam em direção ao centro, e a planta pode apresentar superbrotação das axilas. No enfezamento vermelho, as bordas das folhas e as pontas adquirem coloração avermelhada ou arroxeada, com necrose progressiva. Em ambos os casos, o sistema vascular da planta é comprometido, resultando em espigas deformadas e grãos chochos. Os sintomas tornam-se mais evidentes próximos ao florescimento.

Monitoramento da praga

O monitoramento é a base para decisões de controle. Recomenda-se a instalação de armadilhas adesivas amarelas (12 por hectare, distribuídas na borda da lavoura) para captura de adultos. A amostragem visual deve ser feita semanalmente, examinando as folhas do cartucho e as folhas medianas de 20 a 30 plantas por talhão. O nível de ação geralmente é de 2 a 3 cigarrinhas por planta em milho no estádio vegetativo. Em regiões com histórico da praga, o monitoramento deve iniciar logo após a emergência das plantas.

Medidas de controle e prevenção

O controle dessa praga exige uma abordagem integrada, combinando diversas estratégias para reduzir a população e minimizar os danos. Entre as principais práticas recomendadas estão:

  • Uso de cultivares resistentes ou tolerantes aos enfezamentos;
  • Monitoramento periódico da população de cigarrinhas nas lavouras;
  • Eliminação de plantas voluntárias de milho (tigueras) que servem como hospedeiras;
  • Rotação de culturas com espécies não hospedeiras (soja, feijão, braquiária) para quebrar o ciclo da praga;
  • Sincronização de plantio entre propriedades para evitar a oferta contínua de milho;
  • Aplicação racional de inseticidas seletivos, respeitando os inimigos naturais e com rotação de princípios ativos para evitar resistência;
  • Preservação de inimigos naturais como joaninhas, crisopídeos e parasitoides de ovos;
  • Planejamento da época de semeadura para fugir dos picos populacionais.

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é a abordagem mais sustentável, combinando táticas culturais, biológicas, genéticas e químicas. Instituições de pesquisa brasileiras, como a Embrapa e universidades, têm desenvolvido cultivares tolerantes aos enfezamentos e estratégias regionais de manejo, adaptadas às diferentes épocas de plantio e condições climáticas do país. O acompanhamento técnico e a tomada de decisão baseada em monitoramento são fundamentais para o sucesso do manejo.

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A cigarrinha-do-milho é um tema relevante para a agricultura brasileira, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, onde o milho safrinha é expressivo. Acompanhe no Repórter Brasil as últimas notícias sobre pragas agrícolas, políticas públicas para o campo, meio ambiente e economia. Navegue pelas categorias relacionadas:

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