O termo $Libra ganhou projeção mundial em junho de 2019, quando o Facebook apresentou ao mercado o projeto de uma criptomoeda global. A ideia era criar uma moeda digital estável, lastreada por uma cesta de moedas fiduciárias, que pudesse ser usada por bilhões de usuários da rede social. A iniciativa, depois rebatizada como Diem e posteriormente arquivada, deixou um legado importante para o debate sobre moedas digitais e regulação financeira.
No Brasil, o Libra foi acompanhado de perto pelo Banco Central, pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Congresso Nacional. A possibilidade de uma grande empresa de tecnologia emitir sua própria moeda acendeu alertas sobre soberania monetária, privacidade de dados e estabilidade do sistema financeiro. O tema se tornou pauta frequente em audiências públicas e seminários sobre criptoativos.
O projeto original previa que o Libra fosse uma stablecoin – ou seja, uma criptomoeda com valor atrelado a ativos reais, como dólar, euro, libra esterlina e títulos públicos de curto prazo. Diferentemente de outras criptomoedas como o Bitcoin, a volatilidade seria mínima. A gestão da reserva ficaria a cargo da Libra Association, consórcio formado por empresas como Mastercard, Visa, PayPal, Uber e Spotify.
Entretanto, o projeto enfrentou forte resistência de reguladores ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, o Facebook foi convocado a depor no Congresso. Na União Europeia, autoridades antitruste e de proteção de dados abriram investigações. O G7 e o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertaram para os riscos à estabilidade financeira global. Como resultado, vários parceiros iniciais abandonaram o consórcio.
No Brasil, as discussões sobre o Libra contribuíram para acelerar a agenda de regulação das criptomoedas. Em 2022, foi sancionada a Lei nº 14.478, que estabelece o marco legal dos criptoativos no país. O Banco Central passou a ser o órgão responsável por regular o setor. Além disso, o debate sobre o real digital (CBDC brasileiro) ganhou impulso, com o BC realizando testes e divulgando diretrizes para a moeda digital de banco central.
O fim do projeto Libra/Diem em 2022 não encerrou as discussões sobre o papel das big techs no sistema financeiro. Pelo contrário, o caso serviu de alerta para que governos e bancos centrais se antecipassem na criação de regras e na emissão de suas próprias moedas digitais. Hoje, mais de 100 países estudam ou já implementaram CBDCs.
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