A subvariante Ômicron XBB.1.5 do SARS-CoV-2 representa o capítulo mais recente na evolução do vírus que causou a pandemia de COVID-19. Identificada pela primeira vez nos Estados Unidos em outubro de 2022, esta cepa recombinante se espalhou rapidamente pelo globo, tornando-se dominante em vários países devido à sua transmissibilidade elevada e capacidade de escapar da resposta imune.

O que é a Ômicron XBB.1.5?

A XBB.1.5 é uma sublinhagem da variante Ômicron, resultado da recombinação de duas linhagens da BA.2. Ela pertence à linhagem XBB, que já havia chamado a atenção por sua significativa evasão imunológica. A mutação adicional F486P no domínio de ligação ao receptor (RBD) da proteína Spike confere maior afinidade pela ACE2, facilitando a entrada do vírus nas células humanas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a XBB.1.5 como uma variante de preocupação (VOC) e, posteriormente, como uma variante sob monitoramento, dada sua rápida disseminação.

Transmissibilidade e vantagem evolutiva

Estudos de laboratório indicam que a XBB.1.5 é cerca de 1,5 vez mais transmissível que a XBB.1 original e possui uma capacidade de neutralização cerca de 2 a 3 vezes menor por anticorpos derivados de vacinas ou infecções anteriores. Essa combinação de alta transmissibilidade e escape imunológico permitiu que ela se tornasse rapidamente a linhagem predominante nos Estados Unidos, representando mais de 80% dos casos sequenciados em janeiro de 2023. Na Europa e em outras regiões, a subvariante também causou uma nova onda de infecções.

Sintomas e gravidade

Os sintomas associados à Ômicron XBB.1.5 não diferem substancialmente de outras subvariantes recentes. Os mais comuns incluem dor de garganta, coriza, congestão nasal, tosse seca, fadiga, dor de cabeça e espirros. Febre e perda de olfato ou paladar tornaram-se menos frequentes. A maioria dos casos é leve a moderada, especialmente entre pessoas vacinadas. No entanto, a alta contagiosidade pode resultar em um grande número de casos, levando a hospitalizações entre grupos de risco, como idosos, imunossuprimidos e não vacinados.

Eficácia das vacinas

As vacinas bivalentes, que contêm componentes da cepa original e da Ômicron BA.4/BA.5, foram atualizadas para oferecer melhor proteção contra a XBB.1.5. Estudos mostram que a dose de reforço bivalente aumenta significativamente os níveis de anticorpos neutralizantes contra a subvariante. Embora a proteção contra infecção possa ser reduzida, a eficácia contra hospitalização e óbito permanece alta. Por isso, as autoridades sanitárias brasileiras e internacionais recomendam a vacinação completa com os reforços disponíveis, especialmente para os grupos prioritários.

Situação no Brasil

No Brasil, a Ômicron XBB.1.5 foi detectada em amostras sequenciadas a partir de janeiro de 2023. Dados do Ministério da Saúde indicam que a subvariante se tornou uma das linhagens dominantes no país ao longo do primeiro trimestre de 2023, contribuindo para o aumento de casos de COVID-19 registrado no período. Os estados com maior cobertura vacinal apresentaram taxas de hospitalização e óbito significativamente menores, reforçando a importância da imunização em dia. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde seguem monitorando a evolução do vírus e podem ajustar as recomendações conforme necessário.

Prevenção e cuidados

As medidas preventivas básicas continuam sendo eficazes para reduzir o risco de infecção pela XBB.1.5: manter o esquema vacinal em dia, usar máscaras em locais fechados e com aglomeração, garantir ventilação adequada, realizar testes diante de sintomas e respeitar o isolamento em caso de positividade. Acompanhe as orientações da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde.