Sed sagittis risus

Não há como negar: a política é feita de flechas. No dia 13 de março de 2015, o Repórter Brasil publicava uma análise que logo se tornaria um marco entre os nossos leitores: "Sed sagittis risus". A expressão latina, conhecida dos estudiosos de retórica e presente em diversos textos clássicos, foi apropriada pelo editorial para descrever a irreversibilidade de decisões tomadas no calor do momento político.

Na literatura, "sed sagittis risus" remete ao momento em que a flecha é disparada e o riso — ou o escárnio — ecoa em resposta. Traduzindo para o contexto brasileiro de 2015, o país vivia uma ebulição política. A Operação Lava Jato avançava sobre o núcleo duro do poder, o governo Dilma Rousseff enfrentava sua pior crise de aprovação e o Congresso Nacional se movimentava em direção a um processo que culminaria no impeachment.

Uma vez lançada a palavra, não há como retê-la. Uma vez tomada a decisão, não há como voltar atrás. A flecha segue seu curso, e o riso, muitas vezes cruel da história, é a única resposta.

A máxima sed sagittis risus nos convida a refletir sobre as consequências de cada ato público. Um projeto de lei enviado ao Congresso, um veto presidencial, uma delação premiada — todos são "flechas" que, uma vez disparadas da aljava, não retornam. Algumas acertam o alvo com precisão cirúrgica; outras erram feio, e o riso público ecoa como julgamento.

Naquele 13 de março, o Repórter Brasil destacou como essa expressão latina se encaixava perfeitamente nos eventos que dominavam as manchetes: os desdobramentos da Lava Jato, as articulações do Planalto e a reação das ruas. Em um ano que terminaria com o afastamento da presidente, "Sed sagittis risus" funcionou quase como uma premonição: as flechas estavam no ar, e o desfecho, embora incerto, seria implacável.

A data de 13 de março de 2015 fica registrada não apenas pelos fatos, mas pela lente através da qual o Repórter Brasil os interpretou. Mais do que uma frase em latim, a expressão tornou-se um alerta sobre a irreversibilidade do tempo na política brasileira: uma vez que a verdade ou a decisão são postas a nu, não há como recolher a flecha. Resta, a todos nós, observar a trajetória e torcer para que o riso, ao final, não seja o único legado deixado pelos acontecimentos.

Comentários

Os comentários estão fechados para esta matéria.