Um estudo publicado em 2019 na revista Science documentou uma perda alarmante: a população de aves na América do Norte sofreu uma redução de aproximadamente 3 bilhões de indivíduos desde 1970, o que representa um declínio de 29% em cinco décadas. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Cornell, da Sociedade Americana de Conservação de Aves e de outras instituições, analisou dados de monitoramento de longo prazo para chegar ao número.
Os pesquisadores examinaram censos de aves reprodutoras, inventários de migração e registros históricos de mais de 500 espécies. O resultado mostrou que a perda atinge aves de todos os biomas, mas é especialmente grave entre as espécies de pastagens e campos abertos, que tiveram quedas superiores a 50% no período analisado.
Entre as principais causas apontadas estão a destruição de habitat provocada pela expansão agrícola e urbana, o uso intensivo de pesticidas, a predação por gatos domésticos e as colisões com edifícios, torres de comunicação e aerogeradores. As mudanças climáticas também começam a exercer pressão adicional sobre populações já vulneráveis, alterando padrões de migração e disponibilidade de alimentos.
Espécies como o pardal-doméstico, as cotovias, os estorninhos e diversas toutinegras e tordos estão entre as mais afetadas. Muitas dessas aves são migratórias e passam parte do ano na América Latina, incluindo o Brasil, o que torna o declínio uma preocupação que extrapola as fronteiras norte-americanas. A perda de habitat em áreas de invernada na América Central e do Sul agrava o quadro.
Para o equilíbrio ecológico, a redução das populações de aves tem consequências profundas. As aves desempenham papéis essenciais na dispersão de sementes, no controle de insetos e na polinização. A diminuição de seus números pode desestabilizar cadeias alimentares inteiras e comprometer a regeneração de florestas e outros ecossistemas.
Organizações ambientais têm recomendado medidas como a proteção de áreas naturais, a restauração de habitats degradados, a redução do uso de agrotóxicos e a adoção de práticas urbanas mais amigáveis para a vida selvagem — como o uso de vidros especiais em janelas para evitar colisões, a manutenção de vegetação nativa em jardins e a manutenção de gatos domésticos dentro de casa. O estudo serve como um alerta global sobre a necessidade de integrar conservação da biodiversidade às políticas de desenvolvimento.