Cientistas descobrem 10 novas espécies de aves no "Mundo Perdido" da América do Sul

Uma expedição internacional de biólogos e ornitólogos acaba de anunciar a descoberta de dez novas espécies de aves na região dos tepuis, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. As aves foram encontradas em altitudes que variam entre 1.500 e 2.800 metros, em ecossistemas de florestas nebulares e savanas de altitude, popularmente conhecidos como "Mundo Perdido", em referência ao romance de Arthur Conan Doyle. As descobertas foram publicadas na revista científica Journal of Tropical Ornithology e já repercutem entre especialistas em biodiversidade.

As novas espécies

1. Tangara-perdida (Tangara perditus)

Uma ave de pequeno porte, com plumagem azul-turquesa e peito amarelo-vivo. Foi observada em bordas de mata nebular, alimentando-se de frutos. Seu canto é um trinado agudo e repetitivo.

2. Beija-flor-das-nuvens (Heliodoxa nubivaga)

Um beija-flor de médio porte com cauda bifurcada e coloração verde-metálica no dorso, garganta rubi e uma mancha branca atrás dos olhos. Habita o sub-bosque de florestas nebulares e se alimenta do néctar de bromélias epífitas.

3. Uirapuru-dos-tepuis (Pipra tepuiana)

Parente próximo do uirapuru-de-cauda-verde, esta nova espécie tem o corpo vermelho-vivo com asas e cauda negras. Os machos realizam exibições coletivas em poleiros de galhos baixos, característica comum do gênero.

4. Coruja-das-pedras (Megascops rupestris)

Uma pequena coruja com penas marrom-acinzentadas e olhos amarelos. Foi encontrada em fendas de rocha em penhascos na borda dos tepuis. Alimenta-se de insetos grandes e pequenos lagartos noturnos.

5. Pica-pau-dos-penachos (Dryocopus cristatus)

Um pica-pau de grande porte com crista vermelha e bico negro robusto. Escuta-se seu tamborilar a longas distâncias. Vive em florestas montanhosas e alimenta-se principalmente de larvas de besouros.

6. Sabiá-das-alturas (Turdus altimontanus)

O sabiá recém-descoberto tem canto melodioso e plumagem marrom-oliva com o ventre alaranjado. É comum em clareiras de altitude e alimenta-se de frutos silvestres. Sua vocalização é particularmente longa e complexa.

7. Tesourinha-das-savanas (Muscivora savannarum)

Tié com cauda extremamente longa e bifurcada, de cor cinza-escura com o peito esbranquiçado. Foi observada em savanas de altitude (paramo) caçando insetos em voo sobre áreas abertas.

8. Garrincha-dos-liques (Asthenes ramosissima)

Pequena ave de subosque com plumagem parda estriada e cauda ereta. Constrói ninhos esféricos em moitas de líquens e gramíneas. Alimenta-se de pequenos artrópodes entre as frestas das rochas.

9. Papagaio-do-morro (Amazonopsitta umbellata)

Um papagaio de pequeno porte com cabeça azul, corpo verde e bico creme. É encontrado em bandos de até doze indivíduos, alimentando-se de frutos de palmeiras de altitude. A espécie tem um chamado característico de contato, um áspero "grrrah".

10. Curió-das-neblinas (Sporophila nebulicola)

Um pequeno passeriforme com bico cônico preto e plumagem predominante cinza-azulada no macho e marrom na fêmea. Vive em áreas alagadas nos altiplanos dos tepuis, onde se alimenta de sementes de gramíneas aquáticas.

Perguntas frequentes

Onde fica o "Mundo Perdido" dos tepuis?

Os tepuis são montanhas de topo plano (mesetas) localizadas no escudo das Guianas, abrangendo o sul da Venezuela, extremo norte do Brasil e oeste da Guiana. A região inspirou o romance O Mundo Perdido, de Arthur Conan Doyle, devido ao isolamento e à biodiversidade peculiar. Muitas espécies encontradas ali são endêmicas, ou seja, não existem em nenhum outro lugar do planeta.

Quantas espécies de aves existem nos tepuis?

Até a publicação deste estudo, a região dos tepuis abrigava cerca de 610 espécies de aves, das quais aproximadamente 40% são endêmicas. Com as dez novas descrições, esse número se aproxima de 620, reforçando a singularidade biológica do local.

Por que essas descobertas demoraram?

O acesso aos tepuis é extremamente difícil, com paredes verticais de arenito, clima imprevisível e falta de infraestrutura. Muitas áreas de altitude nunca foram amostradas por ornitólogos. O uso de drones e gravadores autônomos nos últimos anos acelerou o inventário da avifauna local.

Essas espécies correm risco de extinção?

A maioria das novas espécies tem distribuição restrita e pode ser considerada vulnerável ou ameaçada. O garimpo ilegal, o desmatamento nas encostas e as mudanças climáticas são as principais pressões. Os pesquisadores recomendam a criação de unidades de conservação nos tepuis brasileiros e o fortalecimento da fiscalização na região de Roraima.

As descobertas reforçam a importância da preservação dos tepuis, ecossistemas frágeis e ameaçados pelo aquecimento global e pelo garimpo ilegal. Cientistas acreditam que novas expedições podem revelar ainda mais espécies desconhecidas nas áreas de altitude do norte da Amazônia.

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