SSP-DF orientou PM a agir contra bolsonaristas 2 dias antes dos ataques terroristas e confirma negligência

A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) orientou a Polícia Militar, dois dias antes dos atos terroristas de 8 de janeiro de 2023, a agir contra manifestações de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação, obtida por investigadores, confirmou a negligência do governo local ao não impedir a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes.

De acordo com documentos internos, a SSP-DF emitiu no dia 6 de janeiro um plano de contingência à PM, determinando a mobilização de tropas e o isolamento de áreas consideradas de risco. No entanto, as ordens não foram cumpridas a tempo de evitar a escalada da violência. O governador Ibaneis Rocha e o então secretário de Segurança, Anderson Torres, são apontados como responsáveis pela falha operacional.

A confirmação da negligência veio por meio de depoimentos e imagens de câmeras de segurança, que revelaram a ausência de barreiras policiais e a livre circulação dos manifestantes. A CPI dos Atos Antidemocráticos e o Supremo Tribunal Federal destacaram que, se as orientações tivessem sido seguidas, a tragédia poderia ter sido evitada. O caso segue em investigação na Polícia Federal, que já ouviu dezenas de testemunhas.

O episódio levou a mudanças na cúpula de segurança pública do DF e a um reforço dos protocolos de inteligência para eventos de grande porte. A sociedade brasileira cobra transparência e punição dos envolvidos, enquanto o país debate a resiliência das instituições democráticas diante de ataques extremistas.

Com a palavra final do ministro Alexandre de Moraes, do STF, diversas ações foram abertas para apurar omissões. Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF, permanece preso desde janeiro, investigado por conivência. A SSP-DF, por sua vez, afirma ter cumprido seu papel ao emitir as diretrizes, mas admite que houve falhas na execução operacional.

A população do Distrito Federal e o país aguardam o desfecho das apurações, que podem resultar em novas responsabilizações criminais e administrativas.

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