Um novo vídeo que circulou amplamente nas redes sociais reforça a tese de que o Exército Brasileiro hesitou em conter os terroristas bolsonaristas durante a invasão à Praça dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023. As imagens, registradas por câmeras de segurança e filmagens amadoras, mostram militares em posição claramente observadora enquanto a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) precisava assumir a linha de frente e dar ordens diretas para a repressão aos atos criminosos.
O contexto dos ataques
Milhares de manifestantes radicais, que não aceitavam o resultado das eleições presidenciais, marcharam até Brasília e invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF). A depredação do patrimônio público e a destruição de obras de arte e documentos históricos chocaram o país e o mundo. O ataque foi um marco na história recente do Brasil, levando a uma forte resposta das autoridades nos âmbitos político e jurídico.
A hesitação militar em detalhes
O vídeo que dá título a esta reportagem mostra militares enfileirados, sem equipamento de choque, enquanto manifestantes quebravam vidraças e destruíam mobiliário público. A PM, com efetivo reduzido, tentava conter a invasão praticamente sozinha. "Se o Exército tivesse agido de imediato, os danos ao patrimônio teriam sido significativamente menores", avaliou um oficial da PM à época, em condição de anonimato. A demora na ação gerou uma crise entre o recém-empossado governo de Luiz Inácio Lula da Silva e os comandos militares, resultando em uma reforma no alto escalão das forças de segurança nos meses seguintes.
A crise institucional e o papel da PM
A atuação da PMDF também foi alvo de duras críticas. O ex-secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres, foi preso por suposta omissão. As investigações da Polícia Federal buscam entender a cadeia de comando que falhou em proteger as sedes dos Três Poderes. O episódio aprofundou a desconfiança entre os Poderes da República e resultou na abertura de dezenas de inquéritos no Supremo Tribunal Federal.
Consequências jurídicas
O STF, por meio do ministro Alexandre de Moraes, autorizou a investigação de agentes públicos que teriam sido coniventes ou omissos durante os ataques. Até o momento, centenas de pessoas foram denunciadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sob acusação de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e terrorismo. A divulgação do vídeo reacendeu o debate sobre a responsabilidade das forças de segurança na proteção das instituições democráticas.
A pergunta que fica, ainda sem resposta definitiva, é até que ponto a hesitação do Exército foi uma falha operacional ou uma decisão política. Para a justiça brasileira, a resposta está sendo construída peça por peça nos tribunais, enquanto o país busca se reconciliar com sua própria democracia.