O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, anunciou que a criação de uma moeda única do BRICS estará na pauta da próxima cúpula do bloco, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A declaração foi feita durante entrevista coletiva em Moscou, onde Lavrov destacou o avanço das discussões entre os ministros da Economia dos países-membros.
Segundo Lavrov, a moeda comum tem como objetivo reduzir a dependência do dólar norte-americano nas transações comerciais e financeiras do BRICS, proporcionando maior autonomia econômica aos países emergentes. Ele afirmou que o tema já vem sendo estudado tecnicamente e que a cúpula deverá aprovar diretrizes para sua implementação gradual.
A proposta de uma moeda única do BRICS ganhou força nos últimos anos, especialmente após a imposição de sanções econômicas ocidentais contra a Rússia e o crescente movimento de desdolarização liderado pela China. A iniciativa prevê que a moeda não substitua as divisas nacionais, mas seja usada como unidade de conta para liquidação de pagamentos e investimentos entre os membros do bloco.
Especialistas apontam que a criação de uma moeda comum enfrenta desafios técnicos e políticos significativos, como a necessidade de um banco central comum e a harmonização das políticas cambiais. No entanto, o avanço das discussões indica que o BRICS busca consolidar-se como um contrapeso às instituições financeiras tradicionais, como o FMI e o Banco Mundial.
A cúpula do BRICS deste ano será presidida pela África do Sul, e espera-se que os líderes do bloco assinem acordos preliminares sobre a moeda única. A expectativa é que o processo de implementação leve anos, mas o anúncio de Lavrov representa um passo importante na direção de uma nova arquitetura financeira internacional.
Leia mais notícias sobre Economia no Repórter Brasil e acompanhe a cobertura sobre relações internacionais.