O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) foi reeleito presidente do Senado Federal no início da tarde desta quarta-feira (1º de fevereiro de 2023). Ele obteve 49 votos, contra 32 de Rogério Marinho (PL-RN), em uma eleição que refletiu o novo cenário político brasileiro após a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Pacheco, que contou com o apoio explícito do Palácio do Planalto, conseguiu a adesão de partidos de centro e centro-direita, enquanto Marinho unificou a oposição bolsonarista.
A votação ocorre após um período de intensas negociações. Pacheco construiu sua candidatura com base no discurso de independência do Senado, mas também na necessidade de interlocução com o governo federal. "O Senado precisa ser um ambiente de diálogo e construção de consensos. Não podemos virar as costas para o país", discursou Pacheco após o resultado.
Marinho, que foi ministro do governo Bolsonaro, tornou-se a principal voz da oposição na Casa. Sua derrota é vista como um revés para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que gravou vídeos e pediu votos para sua indicação. A bancada do PL, maior do Senado, ficou dividida, com parte dos senadores votando em Pacheco.
Com a reeleição, Pacheco comandará o Senado até 2025. A mesa diretora eleita conta com aliados do governo, o que deve facilitar a tramitação de projetos importantes do Executivo, como o novo arcabouço fiscal e as reformas tributária e administrativa. A expectativa no mercado e no governo é positiva.
A eleição também foi marcada por um gesto de Lula, que recebeu Pacheco no Palácio do Planalto na véspera da eleição, sinalizando a aliança. A oposição criticou o que chamou de "interferência" do Executivo, mas a base governista comemorou a vitória como um primeiro teste de força no Congresso.