O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início à sua visita oficial à China com um deslocamento a Xangai, onde conheceu a fábrica da Huawei, gigante chinesa de telecomunicações. A visita, realizada no domingo (16), marca o começo de uma agenda focada em estreitar os laços econômicos e tecnológicos entre os dois países.
Acompanhado de ministros e empresários brasileiros, Lula percorreu as instalações da Huawei e assistiu a demonstrações de tecnologias ligadas a 5G, computação em nuvem, inteligência artificial e soluções para cidades inteligentes. A Huawei atua no Brasil há mais de 20 anos e é parceira de operadoras de telefonia e de projetos de conectividade no país.
A visita à fábrica simboliza o interesse do governo brasileiro em atrair investimentos chineses em setores estratégicos, como infraestrutura digital, energia limpa e mobilidade elétrica. A comitiva brasileira deve se encontrar ainda com representantes de outras empresas chinesas ao longo da semana, em uma série de reuniões voltadas para negócios e parcerias.
Além dos encontros empresariais, a agenda de Lula em Pequim inclui um encontro bilateral com o presidente Xi Jinping, previsto para a sexta-feira (21). Na ocasião, devem ser discutidos temas como comércio, investimentos em infraestrutura, mudanças climáticas e a cooperação no âmbito do Brics.
A viagem à China é vista como prioritária para o atual governo, que busca diversificar parcerias comerciais e impulsionar o crescimento econômico em meio a um cenário global desafiador. A China é, desde 2009, o principal parceiro comercial do Brasil, com fluxo de comércio superior a US$ 150 bilhões em 2022.
O roteiro incluirá ainda uma visita à sede da New Development Bank (Banco do Brics), presidida pela ex-presidente Dilma Rousseff, demonstrando o engajamento do Brasil nos fóruns multilaterais. A expectativa é que a visita fortaleça a posição brasileira nas negociações climáticas e nos acordos de infraestrutura do Novo PAC.
Com passos cautelosos, a visita de Lula à Huawei sinaliza uma tentativa de reposicionar o Brasil no cenário global, equilibrando relações com as duas maiores economias do mundo.