África enfatiza ambição para etapa de industrialização e transformação econômica

Chefe interino da Comissão Econômica regional, ECA, fala de potencial de impulso da zona de livre comércio para se alcançar metas globais; António Pedro esteve no Fórum Político de Alto Nível nas Nações Unidas, que terminou esta semana

Repórter Brasil com Agência ONU – No meio deste século, a África almeja alcançar um mercado com dimensões equiparáveis aos das duas nações mais populosas do mundo, Índia e China. O continente está empenhado em aproveitar esse potencial para impulsionar o crescimento econômico tanto a nível local quanto global.

No recente Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável da ONU, os planos da região para a etapa de industrialização foram apresentados. O diretor executivo interino da Comissão Econômica para África (ECA), António Pedro, concedeu uma entrevista à ONU News, em Nova Iorque, detalhando algumas ambições regionais. Ele destacou o compromisso da África em buscar uma transição para a energia de carbono zero, visando alcançar a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável.

“Nós estamos aqui para discutir o estado da implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em África. Viemos com uma mensagem muito clara. Primeiro, é um desafio muito grande para todos os países. A maior parte dos objetivos não será alcançada sem um esforço considerável de todas as partes na resolução de alguns obstáculos, como liderança, coerência e coordenação em todos os níveis. Segundo, temos oportunidades para alcançar esses objetivos e fazer uma melhor aplicação dos nossos recursos”, afirmou António Pedro.

Uma das iniciativas que estão sendo estudadas é a produção de veículos elétricos na região. António Pedro ressaltou que o desenvolvimento da cadeia de valor das baterias de carros elétricos, com a participação de países como a República Democrática do Congo, Zâmbia e Moçambique, pode representar uma grande oportunidade para a economia africana. Ele mencionou que os resultados do estudo de viabilidade serão lançados em agosto, o que permitirá que os países africanos possam almejar uma fatia significativa do mercado global estimado em US$ 271 bilhões.

Outro destaque foi a adoção da Declaração sobre a economia azul e a ação climática, por líderes africanos em junho, durante uma conferência em Moroni, nas ilhas Comores. Essa iniciativa representa uma grande oportunidade para os países costeiros e insulares, impulsionando ainda mais os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

O mercado de carbono também figura como uma importante oportunidade para a África, podendo gerar receitas significativas, conforme António Pedro explicou: “Se conseguíssemos vender a tonelada de carbono sequestrado por US$ 120, a África poderia gerir cerca de US$ 82 milhões por ano, muito mais do que a assistência ao desenvolvimento que nós recebemos, cerca de US$ 60 milhões.”

A África se mostra preparada para enfrentar os desafios da pobreza, contribuir para a preservação do planeta e construir um mundo pacífico, enquanto impulsiona o crescimento econômico com alcance global. Investimentos em infraestrutura e uma nova era de comércio e crescimento são fundamentais para esse objetivo.

Nos próximos seis anos da Década de Ação, a ONU ressalta a importância de atuar em três níveis para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: global, local e das pessoas, e a África está determinada a ser um protagonista nessa busca pela sustentabilidade e desenvolvimento.

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