Estudo revela que garimpo ilegal contamina animais na Amazônia

Resultados preliminares mostram que mamíferos como roedores, jaguatiricas e sauás foram contaminados por mercúrio

Repórter Brasil – Uma equipe de cientistas realizou uma pesquisa pioneira na Amazônia peruana para investigar os efeitos da mineração ilegal de ouro na região. Durante a investigação, os pesquisadores concluíram preliminarmente que o mercúrio proveniente do garimpo desenfreado está afetando a vida dos mamíferos terrestres na área.

A região de Madre de Dios, situada no sudeste do Peru, é conhecida como a capital da mineração em pequena escala do país andino, abrigando cerca de 46 mil garimpeiros que atuam nas margens dos rios em busca de ouro. A rápida expansão dessa atividade ao longo dos últimos 15 anos é vista como uma ameaça ambiental e de saúde pelos governos da região.

O estudo, conduzido por cientistas da San Diego Zoo Wildlife Alliance, Field Projects International e Conservación Amazónica, coletou amostras de pêlos e penas de mais de 2.600 animais, pertencentes a pelo menos 260 espécies diferentes, para analisar a contaminação por mercúrio na região em torno da Estação Biológica Los Amigos.

Os resultados preliminares mostram que mamíferos como roedores, jaguatiricas e sauás foram contaminados por mercúrio, com níveis preocupantes em alguns casos. Por exemplo, amostras de primatas examinadas no estudo anterior revelaram níveis de mercúrio 12 vezes mais altos do que os encontrados em áreas distantes do garimpo ilegal de ouro.

Embora os efeitos da contaminação por mercúrio em humanos e aves sejam bem conhecidos, ainda há incertezas sobre como essa exposição afeta outras espécies da floresta amazônica. Mais de 10 mil espécies de animais e plantas estão em risco de extinção devido à destruição causada pela atividade humana na região.

Os pesquisadores destacam que a mineração ilegal ocorre em áreas protegidas da Amazônia e, mesmo nos corredores de garimpo aprovados pelo governo, os mineradores informais trabalham com pouca supervisão estatal, ignorando leis que proíbem o desmatamento e o uso de mercúrio tóxico para separar o metal do sedimento.

O governo peruano declarou estado de emergência na região de Madre de Dios em 2019, visando combater a atividade ilegal, mas o problema continua persistente. Com a crescente preocupação ambiental, líderes de oito países da região se encontrarão na Cúpula da Amazônia em Belém, no Pará, para discutir estratégias para acabar com o garimpo ilegal de ouro na floresta.

O impacto da contaminação por mercúrio nos animais, especialmente os primatas, é uma das principais preocupações dos cientistas. Os pesquisadores pretendem continuar a coleta de dados em longo prazo para entender como o mercúrio está afetando a fauna da Amazônia e em outros locais de garimpo ao redor do mundo.

A prática da mineração ilegal é uma questão global que afeta não apenas a Amazônia peruana, mas também a Bacia do Congo e a Indonésia, constituindo um desafio para a preservação da biodiversidade nos trópicos. O estudo fornece informações cruciais para o desenvolvimento de medidas que possam proteger a fauna e flora dessas regiões vulneráveis.

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