África retrocederá em progressos contra índices de mortalidade materno-infantil

Comparação foi feita com resultados da década passada; estimativa consta do novo relatório da Organização Mundial da Saúde, divulgado na sexta-feira; Na África Subsaariana, estima-se que 390 mulheres perderão a vida todos os dias para cada 100 mil nascimentos até 2030.

O Atlas de Estatísticas da Saúde Africana 2022 mostra que é preciso acelerar ações para combater a mortalidade materno-infantil, que teve avanços reduzidos, se comparada à última década.

O documento avaliou nove alvos relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, sobre saúde e concluiu, que no ritmo atual, será necessário aumentar o investimento para acelerar ações rumo a essas metas.

Marca irrealista em vista das taxas atuais
Na África Subsaariana, estima-se que 390 mulheres perderão a vida todos os dias para cada 100 mil nascimentos até 2030. O número é mais que cinco vezes acima do alvo de 2030, que prevê menos de 70 óbitos de grávidas para cada 100 mil partos. A cifra é ainda maior que a média de 13 mortes para 100 mil nascimentos na Europa, em 2017. A média global é de 211 mortes maternas.

A OMS na África afirma que para alcançar os ODS, o continente precisará de reduzir em 86% os níveis de mortalidade materna de 2017, o ano em que os últimos dados foram reportados. Para a agência, essa marca seria irrealista tendo em vista o ritmo da queda atual.

Os índices de mortalidade infantil, por exemplo, são de 72 para cada 1000 nascimentos vivos. A redução anual é de 3,1%, e espera-se uma queda de 54 mortes para cada 1 mil nascimentos até 2030. Estes números estão bem acima da meta de redução para menos de 25 por 1 mil nascimentos.

Vida mais saudável e bem-estar de milhões de pessoas
A diretora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti, diz que o continente conseguiu alcançar alguns dos níveis mais velozes de redução do globo, em certas áreas de saúde, mas está perdendo esse momento.

Para muitas mulheres africanas, ter um bebê ainda é um risco. E milhões de crianças morrem antes de completar cinco anos de idade.

Para ela, os governos precisam corrigir, de forma radical, esse percurso e aumentar o passo no cumprimento das metas de saúde. Para a chefe regional da OMS, esses objetivos não são apenas marcos, mas a própria base de uma vida mais saudável e do bem-estar para milhões de pessoas.

A África também enfrenta outros desafios na saúde como cobertura vacinal. A mortalidade de crianças abaixo de cinco anos caiu 35%, e as mortes de recém-nascidos também foram reduzidas em 21%.

Já a morte de mães baixou 28%. Na última década, avanços em três áreas ficaram estagnados, especialmente em mortalidade materna.

Pandemia afetou imunização e outros cuidados de saúde
O continente avançou em planejamento familiar com 56,3% de mulheres em idade reprodutiva recebendo métodos contraceptivos em 2020. Mas como um todo, a África está bem abaixo da média global de 77%.

A OMS acredita que a redução foi agravada pelos efeitos da pandemia da Covid-19 no setor de saúde. Serviços de atendimento como cuidado pós-natal e unidades de tratamento intensivo neonatal assim como campanhas de imunização foram afetados.

Desde 2021, a África tem enfrentado um retorno de surtos de doenças evitáveis por vacinas. O sarampo, por exemplo, aumentou 400% entre janeiro e março de 2022, se comparado ao mesmo período do ano anterior.

O investimento inadequado em saúde e financiamento para programas de saúde são alguns dos maiores retrocessos para alcançar os ODS na saúde.

No ano passado, uma pesquisa da OMS em 47 nações africanas constatou que a região de uma parcela de 1,55 trabalhador de saúde incluindo médico, parteira e enfermeiros, para 1 mil habitantes.

Pessoal qualificado no parto e mais segurança para mães e bebês
Uma média inferior ao limite de densidade de 4,45 profissionais para mil habitantes, o que é necessário para fornecer serviços essenciais e atingir a cobertura universal de saúde.

Na África, como um todo, 65% dos nascimentos são feitos por pessoal qualificado, é a taxa mais baixa do mundo e está bem distante do alvo de 90% até 2030.

Contar com auxiliares qualificados no parto é crucial para o bem-estar e a segurança das mulheres e dos recém-nascidos. As mortes neonatais somam quase metade de todos os óbitos de crianças menores de cinco anos.

Acelerar a agenda para reduzir essas mortes pode ser o maior passo na diminuição de óbitos de crianças abaixo de cinco anos para menos de 25 por mil nascimentos.

O Atlas de Estatísticas da Saúde Africana também apresenta os últimos dados para mais de 50 indicadores relacionados à saúde dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e fornece estatísticas abrangentes dos países em toda a região.

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