A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Enel, instalada para investigar as recorrentes falhas na prestação de serviço da concessionária de energia, tornou-se um palco de contradições. Entre depoimentos tensos, justificativas técnicas e momentos de puro sarcasmo, o que ficou foi a sensação de que o consumidor pode ser o grande perdedor — e ainda pagar a conta.
O título da série de audiências não poderia ser mais irônico. Enquanto a população de bairros inteiros enfrentava apagões, os representantes da empresa apresentavam um discurso otimista sobre investimentos e modernização. A expressão "show de luzes apagadas" pegou nas redes sociais e estampou manchetes, traduzindo a frustração de milhões de brasileiros que se viram às escuras enquanto a CPI debatia, acusava e, em vários momentos, fazia piada da própria situação caótica.
O ponto central da crítica, no entanto, é a suspeita de que o desfecho da CPI seja a criação de uma nova taxa. Sob o pretexto de "modernizar a rede" e "garantir a estabilidade do sistema", surgiu a ameaça de um novo encargo sobre a conta de luz. A ironia é amarga: após anos de serviço deficiente, a solução apresentada não é a punição da empresa, mas o bolso do consumidor. A população que sofreu com os blecautes pode ser convocada a pagar mais caro por uma promessa de luz que nunca chegou.
O relatório final da CPI da Enel ainda é aguardado com apreensão. A expectativa é que as investigações resultem em medidas concretas de regulação e fiscalização, e não apenas em mais um tributo. O "show de luzes apagadas" serviu ao menos para acender um alerta sobre a fragilidade do setor elétrico brasileiro e a necessidade de se colocar o consumidor no centro das decisões. Fica a dúvida: quem realmente pagará por este espetáculo?