Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) expulsando um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) do plenário da Câmara dos Deputados com um empurrão e um chute na região das nádegas. A cena ocorreu durante uma discussão acalorada nos corredores da Casa, em abril de 2024. As imagens rapidamente se tornaram um dos assuntos mais comentados do dia, dividindo opiniões entre defensores e críticos do parlamentar.
O incidente
De acordo com relatos de testemunhas, o ativista do MBL, identificado como um dos coordenadores do movimento, teria se aproximado do deputado enquanto ele conversava com outros parlamentares. Após uma troca de ofensas, Glauber Braga partiu para cima do jovem, segurou-o pelo braço e o conduziu até a saída do plenário, aplicando um chute na região glútea. O ato foi registrado por câmeras de segurança e por aparelhos celulares de presentes no local.
A assessoria de imprensa da Câmara informou que as imagens seriam analisadas pela Corregedoria Parlamentar para apurar possíveis violações ao decoro parlamentar. O deputado, por sua vez, justificou sua reação afirmando ter sido alvo de provocações reiteradas por parte do grupo, que frequentemente ocupa as galerias da Câmara para pressionar parlamentares.
Reação de Glauber Braga
Em suas redes sociais, Glauber Braga publicou uma nota afirmando que não se arrepende de ter agido contra o que chamou de “atitude agressiva e provocadora” do militante. Segundo ele, o ativista vinha perseguindo-o havia meses, com xingamentos e tentativas de intimidação. “Não vou aceitar que um provocador profissional atrapalhe o trabalho de deputados eleitos. A paciência tem limite”, escreveu.
Aliados do PSOL saíram em defesa do deputado, destacando seu histórico de atuação em defesa dos direitos humanos e sua postura combativa. O partido emitiu nota manifestando “total solidariedade a Glauber” e repudiando “as provocações do MBL, um grupo que prega o ódio e a desinformação”.
Posição do MBL
O Movimento Brasil Livre repudiou veementemente a atitude do deputado. Em nota oficial, o MBL classificou a ação como “agressão covarde” e anunciou que ingressaria com representação no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar. O grupo também registrou boletim de ocorrência na Polícia Legislativa. “Um deputado não pode usar da força física para calar um cidadão que está exercendo seu direito de manifestação”, afirmou a coordenação nacional do movimento.
Ativistas do MBL organizaram um protesto em frente ao Congresso Nacional, pedindo a cassação do mandato de Glauber Braga. Cartazes com frases como “Fora, Glauber” e “Violência não é política” foram exibidos.
Repercussão política
O incidente rapidamente ganhou dimensão nacional. Parlamentares de diferentes espectros políticos se manifestaram. Deputados da oposição, como os do PL e do Novo, condenaram a atitude e pedem punição exemplar. Já parlamentares da base aliada do governo Lula, embora alguns tenham criticado o uso da força, tenderam a minimizar o episódio, destacando o histórico de provocações do MBL.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou em entrevista que o caso seria investigado com rigor, mas evitou pré-julgamentos. “A Câmara não pode tolerar violência, mas também não pode permitir que manifestantes desrespeitem o trabalho dos deputados”, declarou.
Contexto: a rivalidade entre PSOL e MBL
Glauber Braga é conhecido por seu enfrentamento aberto ao Movimento Brasil Livre. O deputado, filiado ao PSOL, é uma das vozes mais ativas contra o que classifica como “extrema-direita” no Congresso. O MBL, por sua vez, é um movimento que surgiu em 2014 com pautas como impeachment de Dilma Rousseff e combate à corrupção, e que nos últimos anos tem adotado uma postura cada vez mais alinhada ao bolsonarismo.
Embates entre deputados do PSOL e integrantes do MBL são frequentes nas comissões e nas galerias da Câmara. Em 2023, o próprio Glauber Braga já havia se envolvido em uma discussão acalorada com um youtuber ligado ao movimento. O episódio atual, no entanto, é o primeiro que envolve contato físico explícito, o que eleva a tensão no ambiente político.
Possíveis consequências
O Conselho de Ética da Câmara poderá abrir processo disciplinar contra Glauber Braga com base no Regimento Interno, que prevê punições como censura, suspensão ou até perda do mandato em casos de quebra de decoro. Especialistas em direito constitucional ouvidos pela reportagem acreditam que, embora a conduta seja grave, dificilmente resultará em cassação, pois não há lesão física grave nem crime tipificado.
Na esfera judicial, o ativista do MBL pode representar criminalmente por lesão corporal e constrangimento ilegal. No entanto, a imunidade parlamentar relativa pode ser invocada por Glauber Braga para atos praticados no exercício do mandato, o que pode complicar uma ação penal.
Perguntas frequentes
O que o vídeo mostra exatamente?
As imagens mostram o deputado Glauber Braga agarrando um jovem, empurrando-o para fora do plenário e dando um chute em suas nádegas.
Quem era o membro do MBL?
Trata-se de um ativista identificado como coordenador do movimento em Brasília. O nome não foi divulgado oficialmente até o momento.
Glauber Braga será punido?
O Conselho de Ética analisará o caso. Especialistas avaliam que sanções leves são mais prováveis do que a cassação.
O MBL já tomou alguma medida jurídica?
Sim, o movimento registrou ocorrência na Polícia Legislativa e ingressará com representação por quebra de decoro.