O deputado federal Antônio Henrique Jr. (PP-BA) afirmou que o prefeito Zito (PP) busca fugir de um acordo político firmado durante a campanha eleitoral de 2024. A declaração foi dada em entrevista a uma emissora de rádio local e rapidamente repercutiu nos meios políticos da região. Segundo o parlamentar, o partido cumpriu integralmente o combinado na época da eleição, mas a prefeitura não teria correspondido às contrapartidas acertadas.
Contexto da aliança
O Partido Progressista (PP) integrou a coligação que reelegeu o prefeito Zito no pleito de 2024. A aliança envolveu apoio financeiro, palanque e engajamento de lideranças locais, incluindo o próprio deputado, que é uma das principais vozes da sigla na Bahia. De acordo com Antônio Henrique Jr., o acordo previa a participação do partido na administração municipal, com indicações para cargos estratégicos e adoção de pautas prioritárias da legenda. No entanto, até agora, nenhuma dessas contrapartidas teria sido implementada.
Declaração do deputado
Em entrevista concedida na última segunda-feira, Antônio Henrique Jr. afirmou que tentou resolver a questão internamente por meio de conversas com o prefeito e com a executiva municipal do PP, mas não obteve retorno. "Não podemos permitir que um acordo político seja desrespeitado depois que o partido deu o seu máximo na campanha", declarou. O deputado disse ainda que se sentiu desprestigiado e que avalia levar o caso à executiva estadual da legenda, que pode determinar medidas disciplinares ou até o rompimento formal.
Posição da prefeitura
A assessoria de imprensa do município negou que haja descumprimento. Em nota oficial, a prefeitura afirmou que todos os compromissos assumidos estão sendo honrados dentro do prazo e que o prefeito mantém diálogo aberto com todos os partidos da base. A nota sugere que a declaração do deputado pode ter sido motivada por informações distorcidas repassadas por assessores. A prefeitura também reiterou seu compromisso com a coalizão e disse que receberá o deputado para esclarecimentos.
Repercussão política
O episódio gerou reações na Câmara Municipal. Vereadores ligados ao PP manifestaram apoio ao deputado e cobraram uma posição oficial do prefeito. Já integrantes da base governista minimizaram o ocorrido, classificando o desentendimento como "ruído natural" em alianças pós-eleitorais. A oposição local, por sua vez, convocou uma sessão extraordinária para discutir o assunto e questionar a estabilidade da coalizão. O clima entre os partidos da base tornou-se tenso nos últimos dias.
Análise de especialistas
Analistas políticos ouvidos pela reportagem avaliam que o caso ilustra a fragilidade de acordos informais na política brasileira. Sem mecanismos formais de cobrança, as alianças pós-eleitorais ficam sujeitas à vontade das partes e ao jogo de forças local. O cientista político Carlos Mendes, da Universidade Federal da Bahia, destaca que "a ausência de um termo escrito e de prazos claros abre margem para interpretações divergentes". O impasse pode desgastar a base aliada e dificultar a aprovação de projetos importantes na Câmara, como o orçamento municipal.
Próximos passos
Antônio Henrique Jr. adiantou que levará a questão à executiva estadual do PP nos próximos dias. Uma reunião com lideranças partidárias deve ser agendada para discutir o futuro da aliança. O desfecho pode influenciar a configuração política local e ter reflexos nas eleições estaduais de 2026, já que o PP busca consolidar sua força na região. Enquanto isso, nos bastidores, articuladores tentam mediar um acordo para evitar o rompimento. O prefeito Zito ainda não se pronunciou diretamente sobre as acusações, mas a expectativa é de que se manifeste nos próximos dias.
O caso segue em aberto, com expectativa de que o diálogo prevaleça para evitar uma crise maior. A população acompanha atenta os desdobramentos, que podem redefinir o xadrez político do município.