Jerônimo inclui PP na base aliada e prepara reforma para acomodar progressistas: "São da nossa bancada"

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) oficializou a inclusão do Partido Progressistas (PP) na base aliada do governo estadual, abrindo caminho para uma reforma administrativa que deverá acomodar as indicações da sigla. Ao anunciar a medida, Jerônimo afirmou que os progressistas "são da nossa bancada", sinalizando a consolidação de uma frente ampla de apoio no legislativo.

Contexto da aliança

O PP já era um parceiro informal do governo desde o início da gestão, mas agora passa a integrar a coalizão de forma oficial. O partido, que tem presença significativa na Assembleia Legislativa da Bahia, com bancada de deputados estaduais e representação na Câmara dos Deputados, ganha espaço na máquina pública com a perspectiva de assumir secretarias e cargos de segundo escalão. A movimentação ocorre em meio às articulações para as eleições municipais de 2024 e fortalece o palanque governista em diversas regiões do estado.

Historicamente, o PP na Bahia teve origem na antiga Arena e PDS, passando por reformulações até se consolidar como uma legenda de perfil conservador, mas com forte capilaridade no interior. Sob a liderança de figuras como o ex-governador e ex-senador João Durval e o ex-deputado federal Mário Negromonte, o partido se manteve como força relevante no cenário estadual. Nos últimos anos, com o comando do deputado federal Cláudio Cajado, a sigla oscilou entre o apoio ao governo federal e a oposição local. A decisão de Jerônimo de atrair os progressistas reflete a tentativa de isolar a oposição e garantir uma base sólida em um ambiente político fragmentado.

Reforma administrativa em detalhes

Para viabilizar a participação do PP no governo, a equipe de Jerônimo prepara uma reforma na estrutura do Executivo estadual. O projeto deve criar novas pastas ou reorganizar secretarias existentes, de modo a contemplar as demandas dos novos aliados sem desmontar a atual distribuição de cargos entre os partidos que já compõem a base. A reforma está sendo desenhada em diálogo com líderes partidários e deve ser enviada à Assembleia Legislativa nas próximas semanas.

Entre os setores que podem ganhar mais espaço estão as áreas de infraestrutura, desenvolvimento rural e assistência social, onde o PP possui quadros técnicos e políticos com experiência administrativa. Também são mencionadas as pastas de Agricultura, Recursos Hídricos e Desenvolvimento Urbano como possíveis destinos para indicações progressistas. A expectativa é que a reforma também atenda a pleitos de outras legendas da base — como o PSD, o União Brasil e o MDB — num esforço de equilibrar o peso de cada sigla na administração.

Repercussão política e reações

A inclusão do PP na base aliada é vista como um movimento estratégico do governador para ampliar a governabilidade e neutralizar resistências em um ano eleitoral desafiador. Para analistas, a aproximação com os progressistas também pode ser interpretada como um aceno ao centrão, grupo político que tem ganhado força em Brasília e nos estados, especialmente após as eleições de 2022.

Na Assembleia Legislativa, a oposição criticou a medida, classificando-a como mais um exemplo do presidencialismo de coalizão que tradicionalmente marca a política brasileira. O deputado estadual Sandro Régis (União Brasil) afirmou que a adesão do PP escancara a falta de projeto próprio do governo. Já o líder do PP na casa, deputado estadual Luciano Simões, celebrou o ingresso e disse que a sigla manterá sua autonomia, mas apoiará as pautas do governo que estiverem alinhadas com o desenvolvimento da Bahia.

Entidades da sociedade civil e movimentos sociais também reagiram. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) na Bahia manifestou preocupação com a chegada de um partido de perfil conservador a postos estratégicos, enquanto a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) avaliou positivamente a movimentação, por considerar que amplia a capacidade de diálogo do governo com diferentes setores produtivos.

“O PP sempre foi um partido que dialoga com a realidade do nosso estado. A partir de agora, estamos juntos nessa caminhada para fazer da Bahia um lugar melhor”, declarou o governador durante reunião com a cúpula progressista no Palácio de Ondina.

Impactos nas eleições municipais de 2024

A oficialização da aliança ocorre a poucas semanas do segundo turno das eleições municipais e terá reflexos imediatos nas disputas locais. Em cidades como Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e Ilhéus, o PP já possui candidaturas ou apoios definidos. Com a entrada na base, a sigla poderá alinhar seu discurso ao do governo estadual, o que pode atrair eleitores moderados e ampliar as chances de vitória em coligações proporcionais.

No primeiro turno, o PP elegeu prefeitos em cerca de 30 municípios baianos, número considerado expressivo para uma legenda de porte médio. A expectativa é que a participação no governo ajude a consolidar essas conquistas e a pavimentar o caminho para as eleições estaduais de 2026, quando Jerônimo deverá buscar a reeleição.

Desafios pela frente

Apesar do movimento positivo para a base, a reforma administrativa enfrenta obstáculos. Um deles é o custo fiscal da criação de novas secretarias, que precisará ser compensado com cortes em outras áreas ou com aumento de receita. Outro desafio é o prazo: com o segundo semestre de 2024 já avançado, o governo terá que acelerar a tramitação do projeto na Assembleia para que as mudanças entrem em vigor ainda neste ano.

Internamente, setores do PT demonstraram insatisfação com a aproximação com o PP, que consideram um partido de direita. A ala mais à esquerda do partido defende que o governo mantenha compromisso com a base histórica de movimentos sociais e sindicatos, e não apenas com a governabilidade. Jerônimo, no entanto, tem reiterado que sua gestão é de diálogo amplo e que não abrirá mão dos princípios progressistas que nortearam sua campanha.

Perguntas frequentes

Por que Jerônimo incluiu o PP na base aliada?
Para ampliar a governabilidade, fortalecer a coalizão e garantir apoio político em um ano eleitoral, além de incorporar um partido com presença relevante no legislativo e em prefeituras do interior.
O que muda com a reforma administrativa?
O governo deve criar ou ajustar secretarias e cargos para acomodar os indicados do PP e de outros partidos da base, mantendo o equilíbrio da coalizão.
Qual a importância do PP na política baiana?
O PP possui uma bancada expressiva na Assembleia Legislativa da Bahia e também representação na Câmara dos Deputados, além de comandar prefeituras em cidades estratégicas. Sua adesão ao governo amplia a base de sustentação do governador.
A reforma já foi enviada à Assembleia?
Ainda está em fase de elaboração, sem data definida para envio. O governo espera consolidar o texto nos próximos meses e encaminhá-lo para votação após o período eleitoral.
Qual o impacto para as eleições de 2026?
A aliança fortalece o arco de apoio do governador para uma eventual candidatura à reeleição e pode atrair mais partidos para a base, mas dependerá dos resultados eleitorais de 2024 e da manutenção da coesão da coalizão.
Há risco de a reforma aumentar os gastos públicos?
Sim, a criação de pastas implica novos custos. O governo afirma que buscará eficiência e cortes em despesas não prioritárias para compensar o impacto fiscal.

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