O número de mulheres eleitas prefeitas no primeiro turno das eleições municipais de 2024 cresceu 11% na Bahia em comparação com 2020, enquanto no Brasil a proporção de cidades comandadas por prefeitas alcançou 15% do total de municípios, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O avanço, embora ainda distante da paridade de gênero, reflete uma tendência de crescimento gradual da participação feminina na política institucional brasileira.
Cenário nacional: 15% de prefeitas
Em todo o país, 1.523 mulheres foram eleitas prefeitas no primeiro turno de 2024, o que representa 15% dos 5.570 municípios brasileiros. O índice é superior aos 12% registrados em 2020 e mantém a trajetória de alta observada nas últimas eleições municipais. A região Nordeste, onde está a Bahia, concentra o maior número de prefeitas eleitas proporcionalmente, impulsionada por partidos de centro-esquerda e por programas de incentivo à candidatura feminina.
Bahia: crescimento acima da média nacional
Na Bahia, o total de prefeitas saltou de 42 em 2020 para 47 em 2024, um incremento de 11%. O estado agora conta com 47 municípios governados por mulheres, o equivalente a 11,3% das 417 cidades baianas. Embora o percentual ainda seja baixo, o crescimento é significativo porque a Bahia tem tradição de forte presença feminina em movimentos sociais e na política partidária. Cidades como Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista não elegeram prefeitas neste ano, mas o aumento no interior mostra que as candidaturas femininas estão ganhando tração em cidades médias e pequenas.
Fatores que explicam o avanço
Especialistas apontam uma combinação de fatores para o crescimento: a cota de 30% de candidaturas femininas nas legendas, a atuação de partidos na formação de lideranças locais, a maior exposição de pautas como a violência política de gênero e o fortalecimento de redes de apoio entre mulheres candidatas. Além disso, as campanhas de 2024 contaram com maior volume de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) destinados a candidaturas femininas, graças a decisões do STF e do TSE.
Cotas e financiamento: ferramentas essenciais
A Lei das Eleições (Lei 9.504/97) determina que cada partido ou coligação preencha o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo. Para 2024, o TSE destinou 30% dos recursos do Fundo Partidário e do FEFC para candidaturas femininas. Apesar disso, muitas candidatas relatam dificuldade em acessar esses recursos e enfrentam resistência interna nos partidos. O cumprimento efetivo da cota de recursos ainda é um desafio fiscalizado pela Justiça Eleitoral.
Representatividade importa
A eleição de mais prefeitas tem impacto direto na formulação de políticas públicas locais. Estudos mostram que prefeitas investem mais em saúde, educação e assistência social. A presença de mulheres no Executivo também inspira novas candidaturas e fortalece a democracia ao trazer perspectivas diversas para a gestão pública. Cada nova prefeita eleita representa um passo na construção de uma representação política mais fiel à composição da sociedade.
Desafios persistentes
Apesar do avanço, a sub-representação feminina ainda é enorme. As mulheres são 53% do eleitorado, mas ocupam apenas 15% dos executivos municipais. A violência política, a dupla jornada de trabalho e o acesso desigual a recursos de campanha continuam sendo barreiras. Na Bahia, por exemplo, as prefeitas representam apenas 11,3% dos municípios, e nenhuma capital nordestina terá prefeita em 2025. O desafio é transformar o crescimento incremental em um salto qualitativo nas próximas eleições.
O que esperar para 2025-2028
As 47 prefeitas eleitas na Bahia e as 1.523 em todo o Brasil assumirão em janeiro de 2025. A expectativa é que a gestão municipal com perspectiva de gênero possa priorizar políticas públicas para mulheres, como creches, saúde materna, enfrentamento à violência doméstica e programas de autonomia econômica. O aumento do número de prefeitas também fortalece a construção de redes de lideranças femininas para as eleições estaduais e nacionais de 2026.
O crescimento de 11% na Bahia e o índice nacional de 15% de prefeitas eleitas no primeiro turno de 2024 são sinais de que a participação feminina na política municipal avança, mas em ritmo lento. As medidas de incentivo precisam ser ampliadas – com fortalecimento das cotas, fiscalização do financiamento e proteção contra a violência política de gênero – para que a democracia representativa se torne de fato mais plural e igualitária. O próximo passo é garantir que esse progresso se reflita também nas esferas estadual e federal em 2026.
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