Casa de terrorista morto após atentado ao STF é incendiada em Santa Catarina, a suspeita é de queima de arquivo

A residência de um homem que morreu ao tentar atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) com explosivos foi totalmente destruída por um incêndio na madrugada de quarta-feira (13) em Santa Catarina. A Polícia Federal investiga a hipótese de que o fogo tenha sido provocado para destruir provas relacionadas ao atentado.

O incêndio atingiu uma casa localizada na cidade de Rio do Sul, no Vale do Itajaí. Vizinhos relataram ter ouvido explosões antes das chamas se alastrarem. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 2h, mas quando chegou ao local o imóvel já estava completamente tomado pelo fogo. Não houve feridos. A perícia preliminar apontou que o fogo começou em mais de um ponto da casa, o que reforça a tese de ação criminosa.

O atentado ao STF

O ataque ao STF ocorreu na tarde de 13 de novembro de 2024. Um homem, ex-candidato a vereador e conhecido por postagens extremistas, dirigiu um veículo carregado de explosivos contra a entrada do tribunal. O carro explodiu, matando o ocupante instantaneamente. O episódio provocou pânico nos arredores da Praça dos Três Poderes e levou à evacuação do prédio.

Ninguém mais ficou ferido, mas os danos materiais foram significativos. O STF suspendeu as atividades presenciais no dia seguinte e reforçou a segurança. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar se o homem agiu sozinho ou se houve financiadores e cúmplices. As investigações logo se voltaram para a residência do suspeito em Santa Catarina.

O suspeito

O autor do atentado era natural do interior de Santa Catarina e morava em Rio do Sul. De acordo com familiares, ele vinha demonstrando radicalização política nos últimos meses. Publicações em redes sociais exaltavam atos violentos contra instituições e pregavam o fechamento do STF. A Polícia Federal já monitorava o homem havia semanas, mas não havia indícios suficientes para uma prisão preventiva.

Após sua morte, a PF conseguiu mandados de busca e apreensão para sua casa. Durante o dia, peritos estiveram no imóvel e recolheram computadores, documentos e mídias. À noite, a casa foi incendiada.

O incêndio e a suspeita de queima de arquivo

O fogo destruiu rapidamente a estrutura de madeira e alvenaria. Testemunhas relataram ter visto uma pessoa saindo do local pouco antes das chamas. A Polícia Militar foi acionada e isolou a área. Bombeiros controlaram o incêndio, mas o conteúdo interno foi praticamente todo consumido.

A principal linha de investigação da Polícia Federal é de que o incêndio foi criminoso e teve como objetivo eliminar provas. "A forma como o fogo se espalhou e o horário indicam que alguém quis destruir o que ainda estava lá", afirmou um investigador que preferiu não se identificar. Peritos trabalham na coleta de resíduos para tentar recuperar dados de dispositivos eletrônicos danificados.

Não há suspeitos presos até o momento. Câmeras de segurança da vizinhança serão analisadas para identificar o possível autor.

Investigações da Polícia Federal

A Polícia Federal instaurou um segundo inquérito para apurar o incêndio doloso, que pode estar ligado ao atentado. A PF trabalha em conjunto com a Polícia Civil de Santa Catarina e o Instituto Geral de Perícias. A hipótese de queima de arquivo é considerada "muito forte" por fontes da corporação.

Os agentes buscam entender se o incêndio foi ordenado por terceiros ou se o próprio suspeito havia deixado instruções para que a casa fosse destruída em caso de sua morte. Também se investiga a possível participação de familiares ou vizinhos. Até agora, ninguém foi detido.

Repercussão

O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, classificou o atentado como "grave ataque à democracia" e disse que a Corte acompanha as investigações. "A Justiça não será intimidada", afirmou em nota oficial. O governo federal, por meio do Ministério da Justiça, ofereceu apoio integral às investigações.

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, determinou que a Polícia Civil atue de forma coordenada com a PF e lamentou o episódio: "Não vamos tolerar que criminosos tentem destruir provas. A verdade será restabelecida."

Contexto de ameaças ao STF

O Supremo Tribunal Federal tem sido alvo recorrente de ameaças e ataques nos últimos anos. Em 8 de janeiro de 2023, extremistas invadiram e depredaram o prédio do STF, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto. Desde então, a segurança foi reforçada, mas os episódios de violência política continuam.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a radicalização de indivíduos solitários é um desafio crescente para as forças de segurança. "A internet potencializa discursos de ódio e facilita a disseminação de ideias extremistas", avalia a cientista política Carla de Oliveira. "É preciso equilibrar a liberdade de expressão com a prevenção de atos violentos."

Próximos passos

A Polícia Federal aguarda os laudos periciais do incêndio e do atentado. As investigações correm sob sigilo. A expectativa é de que novos elementos surjam a partir da análise de materiais apreendidos antes do incêndio e de vestígios coletados nos escombros.

Enquanto isso, a população de Rio do Sul tenta retomar a rotina. A casa incendiada permanece interditada. "É assustador pensar que um terrorista morava no nosso bairro", disse uma moradora. "Agora esperamos que a polícia descubra o que realmente aconteceu."

A reportagem acompanhará o desenrolar dos fatos. O caso expõe a fragilidade das instituições diante de atos extremistas e acende o alerta para a necessidade de políticas efetivas de combate à radicalização online.

RB

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