Dono de carro que explodiu na Praça dos Três Poderes é chaveiro do Sul do país

Um veículo explodiu na manhã desta sexta-feira (22) nas imediações da Praça dos Três Poderes, em Brasília. O proprietário, identificado como um chaveiro natural do Rio Grande do Sul, foi detido para prestar esclarecimentos. Ninguém ficou ferido, mas o episódio elevou o nível de alerta na região.

Dinâmica da explosão

Segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, a explosão aconteceu por volta das 8h30, em uma via marginal ao Supremo Tribunal Federal (STF). O veículo, um Volkswagen Gol de cor branca com placas do Paraná, estava estacionado havia cerca de 20 minutos quando uma forte detonação foi ouvida a centenas de metros. Vidros de prédios próximos foram estilhaçados, e a fumaceira pôde ser vista de vários pontos do Eixo Monumental.

As primeiras equipes de segurança isolaram a área imediatamente. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar e a Polícia Legislativa foram acionados para verificar a possibilidade de novos artefatos. Após vistoria, o local foi liberado para a perícia.

Proprietário identificado

Horas depois, a Polícia Civil do DF divulgou que o dono do automóvel era João Batista da Silva, 42 anos, chaveiro natural de Caxias do Sul (RS). Ele se apresentou espontaneamente em uma delegacia após tomar conhecimento do ocorrido pelas redes sociais. Em depoimento preliminar, afirmou que havia viajado a Brasília para participar de uma feira de convenções e que estacionou o carro seguindo as orientações de um aplicativo de estacionamento rotativo.

A defesa do suspeito alega que ele é inocente e que pode ter sido vítima de uma armação. “Meu cliente não tem qualquer ligação com explosivos ou crimes políticos. Ele é um trabalhador simples que estava na capital a negócios”, disse o advogado em nota.

Investigação da Polícia Federal

A Polícia Federal assumiu as investigações por se tratar de uma área de segurança nacional. Peritos criminais recolheram fragmentos do motor e da lataria do carro para análise laboratorial. Até o momento, não se sabe se o explosivo foi acionado remotamente ou se havia um dispositivo temporizador.

“Estamos diante de um cenário complexo. A perícia vai determinar a composição do material e tentar rastrear sua origem. Também estamos examinando as câmeras de segurança públicas e privadas da região”, afirmou o superintendente da PF no DF em entrevista coletiva.

Agentes federais cumprem mandados de busca e apreensão na residência do suspeito em Caxias do Sul e na oficina onde ele trabalhava. O celular e o notebook do chaveiro foram apreendidos para extração de dados.

Repercussão política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi informado do ocorrido e determinou que as investigações sejam conduzidas com total transparência. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciou a criação de uma força-tarefa para revisar o protocolo de segurança no perímetro dos Três Poderes.

Líderes da oposição também se manifestaram. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou o episódio como “grave falha de segurança” e pediu a convocação do ministro da Defesa para prestar esclarecimentos. Já o presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, afirmou que a Corte está segura e confia no trabalho das forças policiais.

Contexto de segurança

A Praça dos Três Poderes é um dos locais mais vigiados do Brasil desde os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes radicais invadiram o Congresso, o STF e o Palácio do Planalto. Desde então, barreiras adicionais, câmeras com reconhecimento facial e um maior efetivo da Polícia Militar foram instalados. No entanto, a explosão desta sexta-feira demonstra que ainda existem brechas no cerco de segurança.

Especialistas ouvidos pelo Repórter Brasil apontam que a entrada de um veículo comum na via marginal onde ocorreu a explosão não exigia credenciais especiais, o que pode ter facilitado a ação. “É preciso rever o controle de acesso veicular em todo o entorno imediato da praça”, defende o coronel da reserva José Carlos dos Santos, especialista em segurança pública.

Próximos passos

A Polícia Federal aguarda os laudos periciais, que devem ficar prontos em até 15 dias. Enquanto isso, o inquérito corre sob sigilo. O chaveiro João Batista permanece como investigado, mas não está preso – ele foi liberado após prestar depoimento e assinar termo de comparecimento mensal à Justiça. A defesa nega envolvimento e se coloca à disposição para colaborar com as investigações.

O caso segue sendo acompanhado de perto pelo Ministério da Justiça e pelas cúpulas dos Três Poderes. Na próxima semana, uma reunião do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) deve definir novas medidas de proteção na área.

A população de Brasília permanece em alerta, mas as atividades no Congresso e no STF ocorrem normalmente. A reportagem continuará atualizando este caso.