Operação resgata trabalhadores em situação de escravidão no oeste da Bahia

Uma operação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) resgatou dezenas de trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão no oeste da Bahia. A ação, deflagrada em novembro de 2024, mobilizou auditores fiscais do trabalho e agentes federais na fiscalização de propriedades rurais na região de Barreiras, importante polo do agronegócio baiano.

Os trabalhadores foram encontrados em alojamentos insalubres, sem água potável, instalações sanitárias adequadas, colchões e equipamentos de proteção individual (EPIs). Relataram jornadas exaustivas, retenção de documentos e salários atrasados, além de dívidas impostas ilegalmente. Eles exerciam atividades ligadas à pecuária e à produção de carvão vegetal, setores historicamente associados ao trabalho escravo contemporâneo no Brasil.

A operação integra as ações do Programa de Enfrentamento ao Trabalho Escravo do governo federal. Os trabalhadores resgatados receberão assistência social, seguro-desemprego especial no valor de até três parcelas do salário mínimo, encaminhamento para cursos de qualificação profissional e, se necessário, acolhimento em rede de abrigos. Os empregadores foram autuados e responderão criminalmente pelo crime previsto no artigo 149 do Código Penal, podendo ainda ser incluídos no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à de escravo, a chamada ‘lista suja’ do trabalho escravo.

O oeste da Bahia tem sido palco de dezenas de operações de fiscalização nos últimos anos, reflexo da expansão do agronegócio e da precarização das relações de trabalho na região. Ação após ação, as autoridades buscam coibir práticas que violam a dignidade humana e os direitos trabalhistas. A atuação integrada entre MTE, PF, MPT e Polícia Rodoviária Federal tem sido fundamental para libertar trabalhadores e responsabilizar empregadores que insistem em manter condições degradantes.

Denúncias anônimas podem ser feitas pelo Disque 100 (Direitos Humanos) ou pelo sistema de denúncias do Ministério Público do Trabalho. A participação da sociedade é essencial para ampliar o alcance das operações e fortalecer a política de erradicação do trabalho escravo no Brasil.

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