O Partido Social Democrático (PSD) na Bahia estaria avaliando a possibilidade de se desvencilhar da base aliada do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e lançar candidatura própria ao Palácio de Ondina em 2026. A movimentação, que já é discutida nos bastidores, pode redefinir o cenário político baiano nos próximos anos.
Eleito em 2022 com uma coligação que reuniu PT, PSD, MDB, PSB e outros partidos, Jerônimo Rodrigues construiu seu governo com amplo apoio. No entanto, o PSD – uma das maiores legendas do estado – sinaliza que deseja mais protagonismo. Nos últimos meses, encontros de lideranças do partido com pré-candidatos e a presença de pré-candidatos em eventos regionais indicam que a sigla está se movimentando para ter um nome próprio na disputa.
O senador Otto Alencar, principal referência do PSD na Bahia, ainda não se manifestou publicamente, mas seu nome é um dos mais cotados para encabeçar a chapa. Outros nomes, como o deputado federal Antonio Brito, também são mencionados nos bastidores. O partido busca construir uma candidatura viável que possa dialogar com o eleitorado de centro.
A direção nacional do PSD, comandada por Gilberto Kassab, tem incentivado os diretórios estaduais a fortalecer suas marcas. Na Bahia, a sigla calcula que tem musculatura para disputar o governo sem depender do PT. Pesquisas internas mostrariam que o partido tem potencial de crescimento se conseguir se apresentar como uma alternativa de centro, capaz de dialogar tanto com a esquerda quanto com a direita.
No campo governista, a movimentação é vista com apreensão. O PT baiano trabalha para manter a coesão da base, mas reconhece que a saída do PSD pode fragilizar a candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues. O vice-governador Geraldo Júnior (MDB) mantém diálogo aberto com lideranças do partido, mas a insatisfação do PSD com o espaço no governo é antiga e tem se acentuado.
Na oposição, o cenário é de expectativa. O União Brasil, que lançou ACM Neto ao governo em 2022, busca se reconstruir após a derrota. O partido vê na possível fragmentação da base governista uma oportunidade de crescer. PP e PL também miram o eleitorado de centro-direita e podem se beneficiar de uma candidatura própria do PSD que divida o campo progressista.
Em Brasília, a cúpula do PT acompanha com atenção. O presidente Lula tem interesse direto em manter a Bahia como um dos principais redutos eleitorais do partido. Uma ruptura com o PSD no estado pode ter repercussões na relação com a legenda no âmbito federal, onde o PSD integra a base de apoio do governo.
A definição do rumo do PSD baiano deve ocorrer ao longo de 2025, quando os partidos iniciam as convenções e as prévias eleitorais. Por ora, o que se sabe é que a sigla está disposta a negociar, mas não abre mão de ter peso na chapa majoritária – seja como cabeça de chapa ou indicando o vice. O desfecho dessa movimentação será crucial para a configuração política da Bahia e pode influenciar o xadrez político nacional.
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