Dengue: um ano após início da imunização, procura por vacina é baixa

Passado mais de um ano desde o início da campanha nacional de vacinação contra a dengue pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o balanço é de desafio. Embora a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, represente um avanço significativo na prevenção da doença, a procura pelo imunizante entre o público-alvo inicial — adolescentes de 10 a 14 anos — ficou aquém das expectativas das autoridades sanitárias em grande parte dos municípios brasileiros.

Cobertura vacinal e obstáculos

Dados preliminares indicam que a cobertura vacinal completa (duas doses com intervalo de três meses) não atingiu a meta estipulada pelo Ministério da Saúde, que era de imunizar ao menos 90% do público elegível. A adesão variou amplamente entre os municípios, com algumas cidades registrando procura considerada moderada e outras enfrentando alta recusa, o que acendeu um alerta em secretarias de saúde estaduais e municipais.

Especialistas apontam que um dos principais entraves é a desinformação. Boatos sobre efeitos colaterais graves, embora raros, circularam amplamente em redes sociais, gerando hesitação entre pais e responsáveis. Além disso, a necessidade de retorno ao posto de saúde para a segunda dose exige um esforço de mobilização que nem sempre é bem-sucedido, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade social e menor acesso à informação.

Cenário epidemiológico

O momento é de alerta máximo. O Brasil voltou a registrar um aumento significativo no número de casos de dengue, impulsionado pela circulação simultânea dos sorotipos 1 e 2 e por condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti, como o calor intenso e as chuvas frequentes. A baixa cobertura vacinal preocupa especialmente os infectologistas, pois a imunização é uma das ferramentas mais eficazes para reduzir hospitalizações e óbitos pela doença, que pode evoluir para formas graves.

O que se espera para o próximo ano

O Ministério da Saúde planeja expandir gradualmente a faixa etária contemplada pela vacina na rede pública, conforme o aumento da disponibilidade de doses fornecidas pelo laboratório fabricante. Paralelamente, campanhas de conscientização estão sendo reforçadas em parceria com estados e municípios para esclarecer dúvidas da população sobre a segurança e eficácia do imunizante, que tem perfil de segurança favorável.

A mensagem das autoridades é clara: a dengue é uma doença grave e que pode ser prevenida. A vacina, aliada ao combate contínuo aos criadouros do mosquito dentro de casa e nos bairros, segue sendo a melhor estratégia para evitar uma nova epidemia e salvar vidas.