A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizou, em março de 2025, uma audiência pública marcada por tensões para debater o traçado das ferrovias FICO (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) e FIOL (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) no trecho do oeste baiano. O evento reuniu representantes de municípios, estados e do setor produtivo, refletindo a complexidade política e logística da região. As ferrovias FICO e FIOL são empreendimentos prioritários do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal; enquanto a FICO visa conectar o Centro-Oeste ao sistema ferroviário nacional, a FIOL tem como objetivo central viabilizar o escoamento da produção agrícola do oeste baiano até o Porto de Ilhéus. A integração entre os dois trechos é vista como fundamental para reduzir o custo logístico do agronegócio brasileiro.
Em discussão, o traçado centrado no oeste baiano, que pode definir o futuro do escoamento de grãos e minérios da região. Enquanto o governo federal defende uma rota técnica, lideranças políticas locais pressionam por alternativas que tragam benefícios diretos a suas bases eleitorais. O impasse gerou debates acalorados, com críticas à falta de transparência e ao cronograma do projeto. O traçado proposto pela ANTT prioriza o eixo Barreiras–Ilhéus, mas a escolha tem sido alvo de críticas de parlamentares e prefeitos da região, que defendem um trajeto mais abrangente para beneficiar um maior número de municípios do oeste baiano. A pressão política reflete o impacto direto do projeto sobre a logística, o valor das terras e a geração de empregos locais.
A ANTT se comprometeu a analisar as contribuições da audiência e apresentar uma proposta revisada nos próximos meses. O projeto FICO/FIOL é considerado estratégico para a infraestrutura nacional e para a competitividade do agronegócio brasileiro, mas a definição do traçado no oeste baiano continua sendo um ponto de controvérsia. A expectativa é que novos estudos técnicos e ambientais ajudem a equilibrar os interesses regionais com a viabilidade econômica e a sustentabilidade do empreendimento. A próxima etapa do processo de licenciamento deve incluir novas consultas públicas para avançar na definição do traçado.