Em uma cerimônia realizada no IFEMA Madrid, na Espanha, o filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, foi o grande vencedor da 12ª edição do Prêmio Platino. A produção conquistou os prêmios de Melhor Filme Ibero-Americano, Melhor Direção para Walter Salles e Melhor Atriz para Fernanda Torres, consolidando seu lugar como um dos grandes fenômenos do cinema ibero-americano contemporâneo.
Uma noite de consagração brasileira
A competição deste ano foi acirrada, com indicados de peso como “La Sociedad de la Nieve” (Espanha), “El Conde” (Chile) e “Los Colonos” (Argentina). No entanto, a força narrativa de “Ainda Estou Aqui” e a atuação magistral de Fernanda Torres garantiram ao Brasil o lugar mais alto do pódio. O prêmio de Melhor Roteiro foi para o próprio filme, escrito por Murilo Hauser e Heitor Lorega, enquanto a trilha sonora de Cécile Boule foi amplamente elogiada pela crítica especializada. A emoção tomou conta da plateia quando o nome do filme foi anunciado, em uma noite que celebrou o melhor da produção ibero-americana.
A trama que conquistou o mundo
Baseado no livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, o longa narra a luta incansável de Eunice Paiva (interpretada por Fernanda Torres) para reencontrar o marido, o deputado Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura militar brasileira, e manter a família unida diante da adversidade. A direção sensível de Walter Salles e o roteiro preciso transformam uma tragédia pessoal em um épico sobre resiliência, memória e a força feminina em tempos sombrios. Fernanda Torres entrega uma das atuações mais marcantes de sua carreira, capturando a dor, a esperança e a determinação de uma mulher que se tornou símbolo de resistência. O filme também conta com as atuações de Selton Mello como Rubens Paiva, e de Valentina Herszage e Luiza Kosovski como as filhas do casal, compondo um retrato familiar autêntico e comovente.
Repercussão e impacto na carreira
A vitória no Prêmio Platino é o mais recente marco de uma jornada de sucesso internacional. Desde sua estreia no Festival de Veneza, onde conquistou o Prêmio de Melhor Roteiro, o filme vem acumulando elogios da crítica especializada e prêmios em festivais ao redor do mundo. A crítica internacional tem destacado a coragem do filme em revisitar um período doloroso da história brasileira sem cair no maniqueísmo. O trabalho de direção de Walter Salles, conhecido por obras como “Central do Brasil” e “Diários de Motocicleta”, é apontado como um dos mais maduros de sua filmografia, combinando lirismo e um olhar documental. O reconhecimento no Platino não apenas solidifica a posição do filme na corrida por outras premiações, como também fortalece a indústria cinematográfica brasileira no cenário global.
O futuro do filme
Com a visibilidade trazida pelo Prêmio Platino, a expectativa é que “Ainda Estou Aqui” alcance um público ainda maior. O filme deve expandir sua presença em salas de cinema na América Latina e Europa, além de ter sua estreia confirmada em plataformas de streaming nos próximos meses. A produção é um orgulho para o cinema nacional e um presente para o público ibero-americano, reafirmando a força das narrativas brasileiras no cenário internacional.