Em reunião com representantes da sociedade civil e autoridades municipais de Barreiras, no oeste da Bahia, o ativista João Felipe apresentou um conjunto de reivindicações para garantir transporte acessível e atendimento digno a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Transporte alternativo e acessibilidade
João Felipe expôs a precariedade do transporte público municipal, que não dispõe de frota acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Ele cobrou a regulamentação de um serviço de transporte alternativo adaptado, com veículos equipados com elevadores e espaços reservados. A medida, segundo ele, é essencial para que pacientes de tratamentos contínuos, como hemodiálise e sessões de fisioterapia, possam se deslocar com segurança e dignidade. Além disso, beneficiaria diretamente famílias de baixa renda que dependem exclusivamente do transporte coletivo para levar seus filhos às escolas e consultas médicas.
O ativista também chamou atenção para a necessidade de adaptar as calçadas e pontos de ônibus da cidade. "De nada adianta ter um veículo adaptado se o passageiro não consegue sair de casa ou chegar ao ponto de embarque", argumentou. A acessibilidade urbana, defendeu, precisa ser pensada de forma integrada, envolvendo as secretarias de Infraestrutura, Transporte e Desenvolvimento Social.
Políticas públicas para autistas
Outro ponto central da cobrança foi a implementação efetiva da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, instituída pela Lei Berenice Piana (Lei 12.764/2012). João Felipe ressaltou a falta de profissionais especializados na rede pública de saúde e educação do município.
"Precisamos de uma clínica escola, de centros de referência em reabilitação e de salas de aula com professores auxiliares capacitados. A inclusão não pode ser apenas letra fria da lei, ela precisa acontecer na prática", afirmou. A demanda inclui a criação de um cadastro municipal de pessoas com TEA para planejar políticas públicas eficazes e a oferta de terapias como fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e atendimento educacional especializado (AEE).
Ações políticas e articulação regional
O ativista protocolou um documento na Câmara de Vereadores e na Prefeitura de Barreiras solicitando audiências públicas para debater os temas. A ideia é envolver a comunidade, os gestores e os legisladores na construção de soluções viáveis. João Felipe também sugeriu a criação de um programa de conscientização para motoristas e cobradores de ônibus sobre como atender passageiros com deficiências ocultas, como o autismo, promovendo um ambiente mais humano e acolhedor no transporte coletivo.
Barreiras, por ser um polo regional, atrai pacientes de diversas cidades do oeste baiano. A sobrecarga nos serviços de saúde e a falta de transporte interestadual adaptado agravam a situação. João Felipe defende que a solução passa por uma articulação entre as prefeituras da região e o governo do estado da Bahia.
"Não podemos aceitar que pessoas fiquem isoladas em casa por falta de acessibilidade e de políticas públicas de inclusão. Nossa luta é diária e vamos continuar cobrando até que Barreiras seja uma cidade modelo em respeito à neurodiversidade e à mobilidade urbana para todos", concluiu o ativista.