O Aiatolá Ali Khamenei é o segundo Líder Supremo da República Islâmica do Irã, cargo que ocupa desde 1989 após a morte do Aiatolá Ruhollah Khomeini. Como figura máxima do Estado iraniano, Khamenei concentra poderes que vão além do chefe de governo eleito, controlando as Forças Armadas, o sistema judiciário, a mídia estatal e as políticas nuclear e externa. Sua liderança é central para entender as dinâmicas do Oriente Médio e os desafios geopolíticos que impactam diretamente o Brasil e o mundo.
Nascido em 1939 em Mashhad, Khamenei estudou teologia e se tornou um dos principais líderes da Revolução Islâmica de 1979. Foi membro ativo do Conselho Revolucionário, ocupou o Ministério da Defesa e comandou a Guerra Irã-Iraque. Eleito presidente do Irã em 1981, governou durante o conflito e consolidou seu poder. Com a morte de Khomeini, a Assembleia dos Especialistas o designou Líder Supremo, um papel para o qual inicialmente não havia consenso, mas que ele solidificou ao longo de 35 anos de mando.
Como Líder Supremo, Khamenei exerce a autoridade máxima sobre os três poderes. Ele nomeia os chefes do Judiciário, os membros do Conselho dos Guardiões (que filtra candidatos e leis), e os comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Tem a palavra final em tratados internacionais, como o acordo nuclear (JCPOA), e define a política de desenvolvimento de mísseis. Seu escritório supervisiona directamente fundações econômicas que movimentam bilhões de dólares, tornando-o o centro do poder real no Irã.
A política externa sob Khamenei é marcada por uma forte retórica antiamericana e antissionista. O Irã expandiu sua influência no Oriente Médio apoiando o Hezbollah no Líbano, o Hamas na Palestina, o governo de Bashar al-Assad na Síria e os houthis no Iêmen. O programa nuclear iraniano, que Khamenei defende como pacífico, é um dos temas mais sensíveis para a comunidade internacional. As sanções econômicas impostas pelos EUA e pela ONU tentam conter o avanço do enriquecimento de urânio, enquanto o país busca novos parceiros, como no grupo BRICS, do qual o Brasil faz parte.
Com idade avançada e problemas de saúde relatados, a sucessão de Khamenei é um dos temas mais debatidos nos círculos de inteligência e política internacional. A Assembleia dos Especialistas será responsável por escolher o próximo Líder. O nome do filho de Khamenei, Mojtaba Khamenei, é frequentemente citado, assim como outros clérigos da linha dura. A sucessão pode representar uma mudança significativa na política iraniana e nas relações com o Ocidente.
As negociações para retomar o acordo nuclear (JCPOA) esbarram no programa de enriquecimento de urânio iraniano e na desconfiança mútua entre as partes.
Teerã mantém presença ativa no continente, com acordos comerciais e apoio a movimentos políticos, gerando atenção dos serviços de inteligência ocidentais.
Apesar das sanções, o Brasil mantém relações diplomáticas e busca ampliar o comércio com o país persa, especialmente em fertilizantes e carne.
As sanções impostas pelos Estados Unidos e pela ONU afetam a população iraniana, elevando a inflação e limitando o acesso a medicamentos e bens essenciais.
A IRGC é um dos pilares do regime, atuando na segurança nacional, na economia e na repressão a dissidentes políticos, acumulando enorme poder institucional.
Com a saúde debilitada do Líder Supremo, a Assembleia dos Especialistas começa a se movimentar para definir o sucessor e os rumos do país.