Professora trans da rede municipal de Maceió conquista direito inédito à licença maternidade

a professora da rede municipal de ensino de Maceió, Will Dágansú teve a portaria de sua licença maternidade publicada no Diário Oficial

Mais uma barreira contra o preconceito foi quebrada no município de Maceió. Após uma luta de meses, a professora da rede municipal de ensino de Maceió Will Dágansú teve a portaria de sua licença maternidade publicada no Diário Oficial no dia 21 de novembro de 2022. Primeira mulher trans a conquistar esse direito em Maceió, e possivelmente em Alagoas, Will se emociona ao contar como se sentiu ao obter a conquista.

“Eu me orgulho como servidora pública, professora, uma educadora de infância a ser a primeira pessoa transgênero a dar entrada e conseguir o direito à licença maternidade de 180 dias. Eu só sinto que, diferente das outras mulheres, eu tenha que pedir um processo. O processo é sempre muito, mas muito delicado. Um processo que traz muitas chateações em alguns momentos e também alguma dor por a gente perceber que dentro de uma sociedade como a nossa há muita falácia no que diz respeito à igualdade”.

Citando a inspiração na primeira mulher que lutou pelo direito à licença maternidade no mundo, ela lembra que foi uma professora dos Estados Unidos, servidora pública, que, ao ser demitida quando engravidou, foi à corte garantir o direito do retorno ao trabalho, em 1913.

“E então a gente já começa por aí, entendendo que foi uma mulher professora, uma profissional da educação, a primeira no mundo que se tem registros a conceder a si o direito à licença maternidade. Mesmo que tenha sido complicado pra ela, né? Imagine ficar dois anos fora, mas ela não desistiu”.

Will conquistou a guarda deu seu filho Davi em agosto desse ano e a partir daí foi requerer o afastamento. Apesar de tudo, ela reconhece que recebeu toda a orientação e apoio necessários de servidoras da Secretaria Municipal da Educação e da Procuradoria Geral do Município.

“O Instituto Psicossocial do RH da Semed elaborou uma documentação com base na legislação vigente que me liberou imediatamente por cento e vinte dias. Foi um avanço, eu considero que tenha sido um avanço muito muito específico que fomentou o acolhimento da minha licença lá na PGM”.

Reforçando que a luta nunca é em vão, ela coloca o Sinteal como uma grande escola onde se habituou a resistir. “Aprendi nas trincheiras, sobretudo acompanhando as lutas nesses anos com a nossa entidade, o Sinteal. O sindicato que me representa e sempre me apoia, inclusive neste momento. É nas trincheiras que a gente traça as melhores estratégias para sairmos vitoriosas delas, e assim me sinto”.

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